FRAUDE INTERNACIONAL DE LUXO
FBI e autoridades brasileiras investigam brasileira por golpes milionários com joias
Prejuízo milionário com joias desviadas nos EUA inclui colar de US$ 120 mil penhorado por US$ 6 mil. No Brasil, outro golpe soma R$ 4 milhões.
As investigações conjuntas do FBI e de autoridades brasileiras avançam sobre um intrincado esquema de golpes milionários com joias, supostamente orquestrado pela brasileira Camila Briote nos Estados Unidos. Nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, revelam-se detalhes de como ela conquistava a confiança de joalheiros com promessas de altos lucros na revenda internacional, para então desviar peças valiosas e penhorá-las por valores irrisórios em casas de penhor na Flórida. O impacto dessas ações atinge não apenas o patrimônio financeiro das vítimas, que clamam por justiça, mas também a confiança e a dignidade de quem atua no mercado de luxo, alertando para a necessidade de maior vigilância contra fraudes sofisticadas.
O método do golpe: da sedução à traição financeira
O modus operandi da investigada seguia um padrão astuto. Camila Briote apresentava-se como uma bem-sucedida representante de joalherias de renome, prometendo a investidores e pequenos joalheiros margens de lucro substanciais na revenda de peças de luxo no mercado internacional. No início, para construir credibilidade, ela realizava pagamentos pontuais e devolvia itens conforme o combinado, estabelecendo um laço de confiança.
Com o tempo, contudo, a estratégia mudava. Camila passava a atrasar repasses de valores e a retenção das joias, sempre com justificativas elaboradas: problemas financeiros de terceiros, imprevistos operacionais ou dificuldades pontuais. Ela mantinha uma comunicação constante e persuasiva, enviando mensagens, áudios e até fotos e vídeos falsos para convencer as vítimas de que os pagamentos eram iminentes, ou que um motorista estava a caminho para entregar o dinheiro, o que nunca acontecia.
Um elemento cruelmente eficaz de seu método era o uso de histórias dramáticas. Para adiar as cobranças e ganhar tempo, a brasileira recorria a narrativas emocionantes e emergenciais — acidentes, doenças ou eventos fictícios envolvendo terceiros. Essa tática visava sensibilizar as vítimas, explorando sua empatia para prolongar o golpe enquanto as joias eram desviadas.
Em vez de cumprir os acordos de revenda, as investigações indicam que grande parte das peças era levada a casas de penhor, principalmente na Flórida. Ali, os itens eram negociados por valores consideravelmente abaixo do mercado, garantindo à investigada uma liquidez financeira rápida. Esse mecanismo permitia a ela transformar bens de altíssimo valor em dinheiro vivo em questão de horas, dinheiro que, segundo as apurações, era ostentado em um estilo de vida luxuoso nas redes sociais.
Ação do FBI e alcance dos golpes
A maioria dos crimes teria ocorrido nos Estados Unidos, concentrando-se no sul da Flórida, em cidades como Miami, Boca Raton e Palm Beach, onde Camila possui residência. Com o crescente número de denúncias, o caso escalou e agora é conduzido pelo FBI, a polícia federal americana.
Relatórios da investigação apontam que muitas das joias não devolvidas foram, de fato, penhoradas. Um exemplo chocante revelado é o de um colar avaliado em aproximadamente US$ 120 mil que teria sido penhorado por apenas US$ 6 mil, ilustrando a rapidez com que os ativos eram convertidos em dinheiro.
Vida de luxo e novas acusações no Brasil
Depoimentos de vítimas e as evidências digitais sugerem que os lucros dos golpes sustentavam uma vida de luxo exibida abertamente nas plataformas digitais. Além do inquérito nos EUA, Camila Briote também enfrenta acusações no Brasil. Ela é investigada por estelionato envolvendo bolsas de luxo, um caso com prejuízo estimado em mais de R$ 4 milhões.
O que dizem as autoridades e a defesa
A defesa da brasileira afirma em nota que as acusações carecem de respaldo jurídico, negando a comprovação de irregularidades em território brasileiro. As autoridades do Brasil, por sua vez, acompanham o caso, mas mantêm o sigilo sobre investigações em andamento, uma prática comum para não comprometer o processo. Nos Estados Unidos, o FBI também não divulga detalhes publicamente, embora documentos internos indiquem que diversas joias já foram localizadas em casas de penhor, fortalecendo as provas contra a investigada.
A busca incansável por justiça
Enquanto as investigações avançam em ambos os países, as vítimas dos golpes clamam por responsabilização. "O que a gente quer é justiça", desabafa uma das pessoas lesadas, expressando o sentimento de um grupo que sofreu perdas significativas. As autoridades intensificam os esforços para identificar todas as peças desviadas e, crucialmente, para impedir que novos golpes atinjam outras pessoas.
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