MORTE EM UPA
Família denuncia descaso após morte de homem em sala de espera de UPA no Distrito Federal
Homem de 49 anos esperou por cerca de quatro horas em sala de espera de unidade de saúde. Secretaria de Saúde promete rigor na apuração e responsabilização de envolvidos.
Um homem de 49 anos morreu na sala de espera da UPA do Recanto das Emas, no Distrito Federal, nesta segunda-feira, 22/06/2026. Vilmar Pereira da Silva chegou à unidade em uma cadeira de rodas e permaneceu no local por aproximadamente quatro horas antes de ter sua morte constatada. A família denuncia descaso no atendimento e a falta de ação da equipe médica, enquanto o Governo do Distrito Federal (GDF) afirma que o homem "costumava pernoitar no local". A morte foi notada quando um movimento incomum chamou a atenção de uma enfermeira que buscava atendimento para a filha. A profissional constatou a ausência de sinais vitais em Vilmar. Segundo as filhas do falecido, Vilmar Pereira lutava contra o alcoolismo e vivia em situação de rua, mas recebia assistência familiar e já havia sido atendido na UPA em outras ocasiões. "Infelizmente, todas as vezes que ele foi internado, a gente via de perto o descaso, a forma como tratavam o meu pai", relatou Eveylye Pereira, uma das filhas, que descreveu a dificuldade em obter cuidados adequados para o pai. Emily Pereira, outra filha, adicionou que, em situações anteriores em que o pai precisou de internação, o SAMU o encaminhava para a UPA, e a família esperava um tratamento mais direto para a condição dele. A família também mencionou que tem sido alvo de ataques em redes sociais, sendo acusada de ter abandonado Vilmar. Elas contestam essa narrativa, afirmando que prestavam cuidado ao pai, apesar de ele passar longos períodos fora de casa devido à sua condição de saúde. Em resposta, o Instituto de Gestão Estratégica em Saúde (Iges-DF) informou no dia da morte que estava apurando as circunstâncias do óbito. A entidade destacou que o homem não possuía ficha de atendimento aberta na UPA nem havia passado por triagem ou avaliação. Após a constatação da morte, a filha do paciente foi comunicada e acolhida pela equipe de serviço social da unidade. A Secretaria de Saúde, em nota divulgada no domingo (21), assegurou que "não será admitido e nem aceito qualquer indício de omissão ou ausência de atendimento a qualquer cidadão que busque assistência em nossa rede de saúde". A pasta ressaltou a importância de esclarecer todos os fatos e verificar se os protocolos foram seguidos, mesmo que o paciente não estivesse registrado no momento. O secretário de Saúde, Juracy Cavalcante, afirmou em rede social que o homem "costumava pernoitar no local" e pediu a abertura de sindicância. A governadora do DF, Celina Leão (PP), também se manifestou, prestando solidariedade à família e determinando apuração rigorosa e responsabilização dos envolvidos no caso de falecimento na unidade hospitalar. O Iges-DF reiterou em nota que a vítima, identificada como pessoa em situação de rua, não tinha registro de atendimento nem havia passado por classificação de risco. Profissionais de saúde foram acionados por outras pessoas presentes no local e, ao avaliarem o estado do homem, constataram a ausência de sinais vitais. Em seguida, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) e a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) foram acionadas para os procedimentos legais.
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