DIGNIDADE EM RISCO

Falha em elevadores do Walfredo Gurgel força pacientes a usar escadas

Entrada principal do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel com tambores plásticos isolando um dos elevadores em manutenção, em meio à crise de transporte de pacientes.
Pacientes aguardam atendimento na entrada do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, afetado por pane em elevadores.

Crise no maior hospital do RN desde terça-feira, 05 de maio de 2026, adia cirurgias e leva a remanejamento. Peça para um elevador chega no sábado; outro será licitado.

A maior unidade hospitalar do Rio Grande do Norte enfrenta uma crise de infraestrutura que impacta diretamente a dignidade e o tratamento de centenas de pacientes. Desde terça-feira, 05 de maio de 2026, os dois elevadores do Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, essenciais para o transporte de pacientes no setor do pronto-socorro Clóvis Sarinho, estão inoperantes. A falha mecânica, que se estende por dias, forçou a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) a reorganizar emergencialmente o fluxo de atendimento, resultando em adiamento de cirurgias, transferências para outras unidades e o deslocamento de enfermos por rotas alternativas e escadas, evidenciando um desafio crítico para a saúde pública.

Os equipamentos são cruciais para levar pacientes ao centro cirúrgico, localizado no primeiro andar. Sem acesso regular, pacientes dependentes de macas e cadeiras de rodas tiveram seu deslocamento comprometido, sendo encaminhados para hospitais de apoio como o Hospital Deoclécio Marques e o Hospital Regional Alfredo Mesquita.

Na manhã desta quinta-feira, 07 de maio de 2026, um dos elevadores permanecia isolado e em manutenção na entrada, cercado por tambores plásticos. Imagens feitas no hospital flagraram a difícil rotina de pacientes, sendo conduzidos por áreas externas e utilizando as escadas da unidade, um esforço desumano para quem já está fragilizado.

Servidores da unidade narraram as dificuldades diárias no transporte. Um funcionário mostrou o acesso alternativo improvisado. Esta não é a primeira vez que os elevadores do hospital falham; em dezembro de 2025, os equipamentos apresentaram problemas em três ocasiões, ficando mais de dez dias inoperantes. Naquela época, pacientes em macas já haviam sido carregados pelas escadas.

A agricultora Maria José compartilhou a angústia de ver seu pai, de 98 anos, aguardar uma cirurgia por dois dias devido à pane dos elevadores, um atraso que adiciona sofrimento e risco à recuperação de um idoso em condição vulnerável.

A Sesap confirmou o adiamento de algumas cirurgias. À Inter TV, o secretário estadual de Saúde, Alexandre Motta, detalhou a situação, explicando que o Hospital Walfredo Gurgel possui quatro elevadores, dois na estrutura antiga e dois no Clóvis Sarinho. Os dois últimos estão completamente fora de operação. “Esses do Clóvis Sarinho é que estão com a sua atividade suspensa”, afirmou.

Motta informou que um dos elevadores já foi descartado pela empresa de manutenção como irrecuperável e está em processo de licitação para substituição completa. O outro, que quebrou nesta semana, tem previsão de entrega da peça faltante neste sábado, 09 de maio de 2026, para que seu fluxo possa ser restabelecido.

Para minimizar os impactos, a secretaria organizou um fluxo emergencial: pacientes com trauma abdominal são agora encaminhados ao Hospital Santa Catarina, na Zona Norte da capital potiguar. Casos de fratura exposta de membros inferiores, por sua vez, são direcionados ao Hospital Deoclécio Marques, em Parnamirim.

Alexandre Motta explicou que pacientes com fraturas nos membros superiores, caso consigam se locomover, utilizam as escadas do hospital. Aqueles sem condições de mobilidade são transportados por ambulâncias entre diferentes acessos da unidade. “Pacientes que tenham fratura de membros superiores, se tiverem condições de andar, vão subir pela escada. Se não tiverem condições de andar, existe um fluxo criado por ambulância”, disse.

A situação se agrava com problemas estruturais em outros hospitais da rede. O Hospital Deoclécio Marques, que absorve parte da demanda do Walfredo, tem o aparelho de raio-x quebrado há mais de um mês, obrigando o encaminhamento de pacientes ao Hospital Regional Alfredo Mesquita, em Macaíba, para exames específicos.

Apesar de o tomógrafo do Deoclécio Marques funcionar, Motta ressaltou que certos casos ortopédicos ainda dependem do raio-x. “A tomografia de tórax é que não é tão precisa do ponto de vista da imagem óssea, e aí, por isso, ela é encaminhada para o outro hospital da rede, que vai fazer esse suporte”, esclareceu.

A Sesap informou que a peça do aparelho de raio-x foi enviada a São Paulo e aguarda avaliação técnica, com previsão de resposta até sexta-feira, 08 de maio de 2026.

Sobre os impactos, o secretário afirmou que a secretaria busca manter o funcionamento da rede por meio de uma constante reorganização de fluxos. “Criou-se uma gestão do fluxo, garantiu-se com isso o atendimento e, obviamente, fazendo com que o impacto seja mínimo”, declarou.

Alexandre Motta também alertou que o Hospital Walfredo Gurgel opera acima de sua capacidade, com 300 leitos e já tendo atendido 400 pessoas internadas, relacionando essa sobrecarga aos problemas infraestruturais.

Ele destacou a urgência de ampliar a rede hospitalar para aliviar a pressão sobre a unidade, mencionando o futuro Hospital Metropolitano e a expectativa de funcionamento do Hospital Municipal de Natal e do Hospital de São Gonçalo do Amarante. “Eles ajudariam a esvaziar o Walfredo e, obviamente, a sobrecarga dos elevadores, de tomógrafos e dos outros serviços que a gente presta”, concluiu Motta.

A Sesap mantém a previsão de que um dos elevadores volte a funcionar neste sábado, 09 de maio de 2026. O outro equipamento passará por uma substituição completa, processo que segue em etapa de licitação.

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