CRÍTICA AO GOVERNO ESTADUAL
Fábio Dantas reconhece avanços, mas aponta estradas ruins e saúde precária no RN
Ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) avalia discurso positivo de pré-candidato como válido, mas ressalta desafios persistentes em infraestrutura, saúde e educação no Rio Grande do Norte.
O ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) afirmou que o pré-candidato ao governo Cadu Xavier (PT) está correto ao buscar uma visão positiva da gestão da governadora Fátima Bezerra (PT). Contudo, Dantas ponderou que tal discurso encontra limites na realidade enfrentada pela população do Rio Grande do Norte, que ainda lida com estradas em mau estado, hospitais sobrecarregados, educação de baixa qualidade, baixo desenvolvimento econômico e escassez de oportunidades de emprego e renda. A declaração foi feita em entrevista à 97 FM nesta quarta-feira, 20/05/2026.
Dantas comentou a estratégia de Cadu Xavier, ex-secretário estadual da Fazenda e pré-candidato do PT ao Governo do Estado, de defender o legado da gestão Fátima Bezerra. Em entrevistas recentes, Cadu tem refutado a crítica de que o governo "só pagou a folha" e defendido avanços em áreas como segurança, saúde, educação, infraestrutura rodoviária e desenvolvimento econômico.
Fábio Dantas reconheceu que o pré-candidato governista cumpre um papel político ao destacar os aspectos positivos da administração. Ele citou como ativo do governo o pagamento em dia da folha salarial e a manutenção do funcionamento básico da máquina pública. Entretanto, na visão do ex-vice-governador, essas ações não são suficientes para indicar a resolução de problemas estruturais do Estado.
"Cadu está certo quando ele quer mostrar um lado positivo. Qual o lado positivo? O de que, dentro de todas as dificuldades, dentro de todas as ausências de medidas que o Estado nunca tomou, ele está sobrevivendo pagando a folha e fazendo o básico", declarou Fábio. "Mas aí, se esse sistema tivesse certo, a população não sofreria nas estradas, não sofreria nos hospitais, não sofreria na educação de péssima qualidade. Nós não teríamos um Estado que não tem desenvolvimento econômico e que não atrai emprego e renda para o nosso povo."
Na área de infraestrutura, o governo estadual apresentou dados sobre a recuperação de rodovias. Informou a conclusão da primeira fase do programa com R$ 428 milhões em investimentos e cerca de 800 quilômetros restaurados. Uma segunda etapa foi lançada, com previsão de mais 664,8 quilômetros e investimento estimado em R$ 651,5 milhões.
Ainda assim, o tamanho do programa evidencia o passivo rodoviário acumulado. Para Fábio Dantas, a existência de obras em andamento não apaga a percepção de que a população ainda enfrenta dificuldades para circular por rodovias estaduais deterioradas. Sua crítica centraliza-se na discrepância entre o discurso de avanço e a experiência concreta dos cidadãos que dependem dessas vias para trabalhar, produzir, transportar mercadorias ou acessar serviços.
No setor de saúde, Dantas citou os hospitais como exemplo de área onde a narrativa governista colide com a realidade. O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, principal unidade de urgência e emergência do Rio Grande do Norte, é apontado como caso simbólico. A unidade já registrou episódios de superlotação, com pacientes nos corredores, além de paralisações de terceirizados por atrasos salariais e problemas em serviços essenciais.
Esses incidentes reforçam o argumento de Fábio Dantas de que o pagamento da folha de servidores e a manutenção da máquina pública não equivalem à entrega de um serviço público satisfatório. Ele avalia que o cidadão mede o governo mais pela qualidade do atendimento em hospitais, escolas, estradas e pelas oportunidades de trabalho do que pelo discurso fiscal.
A educação também foi alvo da crítica. O Rio Grande do Norte apresentou, no Ideb 2023, o pior desempenho do País no ensino médio público pela segunda vez consecutiva. A nota da rede estadual foi 3,2, inferior à média nacional de 4,1, conforme dados do Ministério da Educação.
Fábio Dantas entende que esses indicadores prejudicam a tentativa de apresentar o Estado como modelo de avanço estrutural. Sua análise sugere que o RN permanece preso a gargalos históricos, especialmente na formação de mão de obra, produtividade e na capacidade de converter potencial econômico em crescimento sustentável.
Na economia, o quadro é mais complexo. O RN registrou em 2023 um crescimento de 4,2% no PIB, atingindo R$ 101,7 bilhões, a maior alta do Nordeste naquele ano. O setor de serviços também demonstrou desempenho positivo, com crescimento de 7,5% no primeiro trimestre de 2025 em comparação ao mesmo período do ano anterior, o melhor resultado entre os estados brasileiros.
Apesar desses números positivos, Fábio Dantas sustenta que o Estado ainda não estabeleceu um ciclo consistente de desenvolvimento e geração de renda. Ele observou que, em muitas cidades, a economia local é excessivamente dependente do pagamento de benefícios sociais e da renda pública, indicando que o RN não criou oportunidades suficientes para reduzir a dependência da população em relação ao poder público.
"Uma das coisas que mais me assustam em todas as cidades é a gente ver que, no dia em que os auxílios saem, a economia flui nos municípios", afirmou. Para ele, a única forma efetiva de combater a pobreza é mediante a geração de emprego e renda, o que representa o verdadeiro progresso.
Os dados do mercado de trabalho indicam melhora, mas também reforçam as ressalvas. O RN encerrou 2025 com taxa anual de desocupação de 8,1%, a menor desde 2012. No entanto, o índice permaneceu acima da média nacional (5,6%) e entre os mais altos do País.
A fala de Fábio Dantas não invalida os avanços pontuais na gestão estadual. Sua crítica recai sobre a tentativa de apresentar esses avanços como prova da superação dos problemas estruturais. O ex-vice-governador avalia que, embora Cadu Xavier possa estar correto em destacar os pontos positivos do governo, enfrentará dificuldades para convencer o eleitorado de que o Estado prospera, enquanto a população ainda lida com estradas precárias, hospitais insuficientes, ensino médio fragilizado e poucas oportunidades de emprego.
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