OPOSIÇÃO EM XEQUE
Fábio Dantas critica Álvaro Dias e Allyson Bezerra, alegando falta de perfil reformista para o Governo do RN
Ex-vice-governador avalia que principais nomes da disputa estadual não possuem o perfil para implementar reformas necessárias, citando desafios fiscais e previdenciários do Rio Grande do Norte.
O ex-vice-governador Fábio Dantas (PSDB) declarou que Álvaro Dias (PL) e Allyson Bezerra (União), principais pré-candidatos à sucessão do Governo do Rio Grande do Norte, não reúnem as qualidades essenciais para conduzir as reformas de que o estado necessita. A análise, divulgada nesta quarta-feira, 20/05/2026, durante entrevista à 97 FM, aponta um cenário fiscal e econômico desafiador para o próximo gestor estadual, que terá de tomar decisões impopulares logo no início de seu mandato.
“O Rio Grande do Norte vai precisar de um governo. O perfil tanto de Allyson quanto de Álvaro não é de fazer reformas. E são necessárias”, pontuou Fábio Dantas. Ele contrapôs a experiência de gestão municipal de ambos com as complexas demandas da administração estadual, que envolvem negociações constantes com diversos Poderes, órgãos autônomos e categorias de servidores, em contraste com a atuação mais focada em uma Câmara Municipal, típica de prefeitos.

A crítica surge em um contexto de forte pressão fiscal no RN. Dados do Tesouro Nacional indicam que, em 2025, o estado comprometeu 56,41% de sua Receita Corrente Líquida ajustada com despesas de pessoal, superando o limite de 49% estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal para o Poder Executivo. Este cenário reforça a defesa de Fábio por reformas estruturais e medidas rigorosas para reequilibrar as contas públicas.
Outro ponto de atenção é a Previdência estadual. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) determinou ações emergenciais ao Governo do RN e ao Instituto de Previdência dos Servidores (Ipern) devido a um déficit atuarial estimado em R$ 54,3 bilhões. O órgão de controle exige a apresentação de um plano de ação, um novo estudo atuarial e um projeto de lei para assegurar o equilíbrio futuro dos pagamentos de aposentadorias e pensões.
Fábio Dantas alertou que os eleitos terão pouca margem para postergar decisões. Ele previu que, caso Álvaro ou Allyson vençam e omitam as reformas indispensáveis, podem enfrentar desgaste político acentuado ou agravar a crise estadual. "Se eles não fizerem a reforma e vencerem a eleição, daqui a quatro anos eles vão ser colocados para fora do governo ou vão ganhar mais quatro anos e dilapidar de novo o Rio Grande do Norte", projetou.
Ao analisar Allyson Bezerra, Fábio Dantas minimizou a experiência administrativa do ex-prefeito de Mossoró, argumentando que sua gestão ocorreu em um cenário mais favorável. "Ele herdou a prefeitura com mais de R$ 170 milhões de investimentos deixados pelo governo Rosalba", mencionou, sugerindo que recursos herdados facilitaram a administração.
Em relação a Álvaro Dias, Fábio Dantas adotou um tom pessoalmente mais ameno, embora mantendo a crítica política. Reconheceu ter simpatia pelo ex-prefeito de Natal e lembrou o apoio recebido em 2022. Elogiou, inclusive, sua atuação na saúde durante a pandemia de Covid-19, mas reiterou a percepção de que Álvaro também carece do perfil reformista necessário para lidar com a estrutura do Governo do Estado. "Acho que Álvaro foi governador do ponto de vista da saúde, porque na pandemia fez o papel que deveria ter feito o próprio Governo do Estado", ponderou.
As declarações atingem diretamente os dois candidatos que lideram as pesquisas de intenção de voto para o Governo do RN. Segundo levantamento da Exatus, divulgado em abril, Allyson Bezerra lidera com 37,29%, seguido por Álvaro Dias com 24,91%. O registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é RN-08384/2026.
Fábio Dantas comparou o Governo do Estado a uma "cadeira elétrica" política, que consome quem assume sem enfrentar os problemas estruturais. Ele criticou governadores anteriores por adiarem medidas cruciais, perpetuando a crise. "O Rio Grande do Norte ou muda no primeiro dia do governo", sentenciou.
O ex-vice-governador destacou o potencial econômico do estado, citando o litoral, petróleo, gás, cerâmica e a força do povo potiguar. Contudo, observou que a economia é majoritariamente sustentada pela iniciativa privada, com o setor público operando de forma limitada. "O elefante está cambaleado. Está precisando sair da peça teatral e entrar na vida real há muito tempo", criticou.
Na visão de Fábio, qualquer eleito em 2026 enfrentará um dilema: implementar reformas impopulares e arcar com o custo político, ou evitar o desgaste e manter o estado dependente de soluções paliativas. Para ele, a resolução dos problemas do RN exige coragem para reformular despesas, reestruturar órgãos e realinhar prioridades, indo além de discursos eleitorais.
"Eu tenho certeza que o governador que entrar aí vai ser um fracasso. Os próximos quatro anos vão ser um desastre, porque ou ele toma medidas que vão acabar a carreira política dele em curto prazo, ou ele não tomando as medidas, ele acaba o Estado e continua a gente dependente da sorte", concluiu.
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