IMPACTO COMERCIAL EXTERNO

Exportações do RN para os EUA caem 57% após tarifaço de Donald Trump

Caixas de frutas prontas para exportação no Porto de Natal
Autoridades observam caixas de melões em evento no Porto de Natal com navio de carga ao fundo — Foto: Acervo Agora RN

Queda nas vendas potiguares para Estados Unidos motiva prorrogação de regime de drawback pelo governo federal para evitar prejuízos tributários.

As exportações do Rio Grande do Norte para os Estados Unidos registraram uma retração de 57% no acumulado de janeiro a julho de 2026, impulsionadas pelos efeitos da política tarifária adotada por Donald Trump. O impacto, revelado em consulta à base Comex Stat do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços nesta sexta-feira (28/08/2026), reflete a dificuldade dos produtores locais em manter o fluxo comercial para o mercado americano, que caiu de US$ 73,4 milhões em 2025 para US$ 31,7 milhões no atual período.

A crise atinge setores estratégicos da economia do Estado, com destaque para combustíveis e óleos minerais, pescados, crustáceos, açúcares, sal, gesso e frutas. A retração coloca em risco a estabilidade de empresas que dependem dessas vendas e gera preocupação sobre o alcance da meta de exportação anual, que dificilmente atingirá os patamares de 2025.

Para mitigar os danos, o governo federal publicou na terça-feira (25/08/2026) a Medida Provisória nº 1.386. A norma institui uma válvula de escape para os exportadores ao conceder um prazo adicional de 12 meses para o cumprimento dos compromissos de drawback suspensão. O regime permite a desoneração de insumos destinados à fabricação de itens de exportação, e a extensão evita que empresas enfrentem a cobrança imediata de tributos com encargos caso não consigam escoar a produção a tempo.

A medida, detalhada pelo O Correio de Hoje na edição de quinta-feira (27/08/2026), abrange atos concessórios vencidos entre 22/07/2026 e 31/12/2026, mediante comprovação de impacto tarifário. Integrante do Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa busca dar fôlego para que o setor produtivo possa renegociar contratos ou redirecionar cargas para outros mercados.

Embora a fruticultura potiguar encontre na Europa um destino consolidado para sua produção através do Porto de Natal, o mercado dos Estados Unidos permanece como a principal lacuna na balança comercial local. A prorrogação do regime de drawback atua, portanto, como uma medida de fôlego para estancar as perdas financeiras impostas pelo cenário internacional.

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