ALERTA GOVERNO
Executivo subestima Congresso e coleciona derrotas, diz Rafael Favetti
Análise revela falta de percepção sobre adversários e impacto na governabilidade. Decisão de Davi Alcolumbre sobre veto agrava crise.
A gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subestimou a força e a articulação do Congresso Nacional, conforme análise do especialista em política Rafael Favetti, apresentada na sexta-feira, 1º de maio de 2026. Durante entrevista ao WW, Favetti detalhou como uma série de derrotas legislativas abalou a estratégia do Executivo, destacando a inédita decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de fracionar um veto presidencial. Esta manobra não apenas fragiliza a base governista, mas também abre portas para o Judiciário, com potenciais impactos na governabilidade e na capacidade do governo de implementar suas pautas.
Para Favetti, o governo entrou em campo com excesso de confiança após vitórias recentes, o que teria comprometido sua capacidade de antecipar os movimentos do Congresso. "Me parece que o governo não enxergou muito bem o jogo, ou pelo menos os adversários que ia enfrentar", afirmou o analista, traçando um panorama de reviravoltas que impactam diretamente a agenda do país.
O cenário de euforia, que se instalou após conquistas como a indicação histórica de Odair Cunha (PT-MG) ao TCU – a primeira vez que um petista é indicado pela Câmara – e a liberação de emendas parlamentares, pareceu dar ao governo um falso senso de segurança. "Ali o governo deu um respiro. Você tinha um quadro colocado de que o jogo estava muito bom para o governo", destacou Favetti.
Contudo, essa percepção otimista rapidamente desmoronou diante de revezes significativos. Favetti mencionou a derrota na questão da Dosimetria, que "já estava mais do que contratada", e o resultado da votação envolvendo Jorge Messias, indicado para o Supremo Tribunal Federal. "A derrota do Messias era do jogo, mas o placar foi um balde de água fria no governo", avaliou o especialista. Para ele, Zé Guimarães, novo ministro das Relações Institucionais, "sofreu uma derrota no principal jogo do seu campeonato" com a sequência de insucessos.
Um dos pontos mais críticos, e que demonstra a articulação do Legislativo, foi a decisão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de fracionar a votação da derrubada de um veto presidencial. Segundo Favetti, esse procedimento, inédito, "abre espaço para que o governo recorra ao Judiciário", prolongando a disputa e criando incerteza jurídica.
O veto total de Luiz Inácio Lula da Silva abrangia duas matérias distintas: a Lei Antifacção, que endureceu regras para progressão de regime de presos, e a Lei da Dosimetria, que, nas palavras de Favetti, "de certa forma, volta atrás" em avanços anteriores. Essa separação, feita por Alcolumbre, gerou forte indignação na base de apoio do governo, que viu a manobra como um golpe político e técnico.
Diante desse impasse, Favetti avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva provavelmente não cumprirá o prazo de 48 horas para promulgar a lei. Caso ele decida promulgar, "retira, de certa forma, pelo menos no plano político, essa indignação da sua base de apoio com essa questão", explicou o analista, transferindo a responsabilidade da promulgação ao Senado e mantendo acesa a tensão entre os poderes.
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