ESQUEMA BILIONÁRIO
Ex-prefeito e ex-secretário da Polícia Civil são alvos da PF em operação contra esquema bilionário de lavagem de dinheiro
Investigação apura movimentação de R$ 7,6 bilhões em postos de combustíveis. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nesta terça-feira, 07/07/2026.
O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e o ex-secretário da Polícia Civil do Rio de Janeiro, delegado Marcus Amim, tornaram-se alvos da Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira, 07/07/2026. A ação, que representa a sexta fase da Operação Unha e Carne, investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos. O dinheiro ilícito seria ocultado por meio de uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, o que levanta sérias questões sobre a integridade de agentes públicos e o impacto na economia local.
Segundo a PF, a organização criminosa contava com a participação de agentes públicos e utilizava empresas do setor de combustíveis para dar aparência lícita a recursos de origem ilegal. A investigação demonstra como esquemas complexos podem corroer a confiança nas instituições e afetar diretamente a dignidade da sociedade, que se vê lesada pela corrupção.
Nesta fase da operação, os agentes cumpriram 19 mandados de busca e apreensão em diversas cidades, incluindo Rio de Janeiro, Niterói, São Gonçalo, Itaboraí e Resende. Além de Márcio Canella e Marcus Amim, um policial civil e um ex-policial militar também são investigados no escrutínio que visa desarticular a rede criminosa.
Durante o cumprimento dos mandados, em Camboinhas, Niterói, foram apreendidos cinco revólveres, um fuzil, munições, joias, dinheiro em espécie em diversas moedas e quatro veículos de luxo na residência de um dos investigados. Em outro endereço, no bairro de Piratininga, também em Niterói, mais dois automóveis de luxo foram recolhidos. A Justiça determinou ainda o bloqueio de bens e ativos financeiros dos envolvidos, além da suspensão das atividades das empresas ligadas ao grupo, buscando impedir a continuidade dos crimes.
Márcio Canella foi conduzido à sede da Polícia Federal, no Centro do Rio de Janeiro, para prestar esclarecimentos. Um Relatório de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), encaminhado à PF, apontou a movimentação de mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos pelo grupo investigado, evidenciando a magnitude do esquema.
Os envolvidos poderão responder por organização criminosa, lavagem de dinheiro e contratação direta ilegal, entre outros crimes que surjam durante as investigações. A PF ressaltou que a Operação Unha e Carne integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, criada para combater organizações criminosas no estado do Rio de Janeiro, em linha com as diretrizes do Supremo Tribunal Federal (STF) na ADPF 635.
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