INVESTIGAÇÃO AÉREA

Ex-diretor da Voepass indiciado por queda de avião abre empresa em Ribeirão Preto

Eric Cônsoli, ex-diretor da Voepass, em foto de perfil profissional.
Eric Cônsoli, indiciado pela PF no inquérito da queda do voo 2283 da Voepass — Foto: Reprodução/Linkedin

Enquanto respondem a inquérito sobre o desastre que vitimou 62 pessoas, profissionais indiciados seguem atuando no setor aéreo brasileiro.

O ex-diretor de manutenção da Voepass, Eric Cônsoli, figura entre os 16 indiciados pela Polícia Federal pela queda do voo 2283, tragédia que vitimou 62 pessoas em Vinhedo (SP). Um ano após o acidente, o executivo tornou-se sócio de uma empresa de serviços aeronáuticos instalada em Ribeirão Preto (SP).

Conforme registros da Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp), o novo negócio foi aberto em julho de 2025. Embora a empresa não opere voos, ela oferece suporte técnico, como manutenção e abastecimento de aeronaves. A Polícia Federal pontuou que os fatos investigados no inquérito restringem-se ao sinistro aeronáutico.

A situação de Eric Cônsoli não é isolada. Outros profissionais indiciados também permanecem na aviação. O ex-inspetor-chefe Tiago Passucci Morani hoje atua em uma prestadora de serviços para companhias aéreas, enquanto Oderlino de Campos Figueiredo, antigo despachante da Voepass, trabalha em uma empresa de transporte de cargas em Campinas (SP).

Os investigados respondem pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, conforme o Código Penal. Embora não tenham sido decretadas prisões preventivas, a Justiça impôs medidas cautelares rigorosas: todos estão proibidos de deixar o Brasil e tiveram seus nomes inseridos em sistemas de controle migratório.

O desastre, ocorrido em 9 de agosto de 2024, foi atribuído pela Polícia Federal e pelo Cenipa a uma sucessão de falhas técnicas e uma "cultura de não reporte", onde problemas de degelo eram omitidos para manter as aeronaves em operação. A Voepass, com dívidas que superam R$ 400 milhões, teve seu Certificado de Operador Aéreo cassado pela Anac em junho de 2025.

O caso segue agora sob análise do Ministério Público Federal. Além das esferas criminais, a Polícia Federal solicitou que o MPF apure possíveis omissões de agentes da Anac que, segundo a investigação, tinham ciência das falhas técnicas antes da queda, mas não impediram os voos.

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