ABUSO DE AUTORIDADE

Justiça exige dados de viaturas ocultados pela PM em Cândido Mota

Vídeo mostra abordagem da Polícia Militar com suspeita de agressão.
Captura de tela de vídeo que mostra PMs abordando homem em Cândido Mota.

A corporação descumpre ordens judiciais sucessivas para entregar registros de GPS e comunicações sobre abordagem com denúncias de tortura e assédio.

A Polícia Militar (PM) tem mantido ocultos os dados de duas viaturas envolvidas em uma abordagem realizada em Cândido Mota, no interior de São Paulo, em dezembro do ano passado. A resistência da corporação ocorre mesmo após manifestação favorável do Ministério Pùblico do Estado (MPSP) e decisões reiteradas da Justiça que ordenam a entrega das informações para a defesa de Gustavo Sabino de Oliveira Silva.

Gustavo Sabino de Oliveira Silva, na ocasião com 24 anos, foi agredido por dois policiais militares do 8º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). A violência, flagrada por uma testemunha em vídeo, tornou-se o centro de uma investigação interna conduzida pela Secretaria da Segurança Pública (SSP).

A defesa sustenta que, como os agentes não utilizavam câmeras corporais, o acesso aos extratos de GPS das viaturas e aos registros do Centro de Atendimento e Despacho (CAD) é fundamental para reconstruir a dinâmica da ação. Em 25 de maio, a Justiça determinou o envio dos documentos, mas o 8º Baep entregou dados incompletos. Um novo ofício foi emitido em 22 de julho, porém, as informações apresentadas continuam deficitárias e apresentam lacunas temporais justamente durante a janela da abordagem.

O caso ganha contornos ainda mais graves com a denúncia de assédio sexual e racismo. Relatos apontam que, na mesma ocorrência, uma adolescente de 16 anos foi submetida a uma revista abusiva em um banheiro, onde PMs teriam exigido que ela se despisse sob a ameaça de um cão farejador. Gustavo, que é negro, também teria sido alvo de ofensas racistas por parte dos agentes.

A defesa oficiou agora o Departamento de Tecnologia da Informação e Comunicação (DTIC) da Polícia Militar, buscando sanar a omissão dos dados. A SSP informou anteriormente que apura minuciosamente as circunstâncias, mas não respondeu aos questionamentos sobre a ausência do envio dos documentos até o momento.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário