CRISE CLIMÁTICA GLOBAL

Europa registra 10 mil mortes acima da média após onda de calor extrema

Termômetro marcando temperatura elevada em ambiente urbano europeu.
Onda de calor causou recordes de temperatura em toda a Europa, afetando principalmente idosos e pessoas com doenças crônicas.

Dados da rede EuroMOMO apontam que o calor excessivo, registrado entre 22 e 28 de junho de 2026, vitimou principalmente idosos em diversos países do continente.

Autoridades de saúde europeias confirmaram que a região contabilizou mais de 10 mil mortes em excesso durante a onda de calor recorde que atingiu o oeste do continente no final de junho de 2026. A decisão de divulgar o levantamento, ocorrida nesta segunda-feira, 13/07/2026, visa alertar a população e a comunidade científica sobre a mortalidade atípica provocada por temperaturas extremas e o impacto direto das mudanças climáticas na saúde pública.

O conceito de "mortes em excesso" quantifica a diferença entre o volume total de óbitos de um período e a média histórica esperada. Segundo informações compiladas pela rede EuroMOMO, apoiada pelo Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças e pela Organização Mundial da Saúde, mais de 90% das vítimas tinham 65 anos ou mais. Esta parcela da sociedade enfrenta riscos elevados devido à fragilidade biológica frente à insolação e ao agravamento de patologias cardiovasculares e respiratórias.

Lasse Vestergaard, médico-chefe do Statens Serum Institut da Dinamarca, destacou que o número é incomum para o período e de difícil explicação por outros fatores externos, como surtos de Covid-19, que não foram identificados naquela semana. O pico de 10.650 mortes coincide com o período entre 22 e 28 de junho de 2026, quando França, Espanha e Reino Unido enfrentaram picos térmicos severos.

A situação é considerada crítica, especialmente na França e na Bélgica, que apresentaram níveis de mortalidade classificados como "excesso muito alto". Em nota técnica, o Sciensano reforçou que a Bélgica atingiu a marca mais preocupante desde o ano 2000. Paralelamente, estudos do Imperial College London, do Met Office do Reino Unido e da London School of Hygiene & Tropical Medicine estimaram que 2.700 pessoas faleceram na Inglaterra e no País de Gales devido às temperaturas elevadas entre maio e junho de 2026.

Os dados apresentados pela EuroMOMO são preliminares e estão sujeitos a revisões à medida que novos registros nacionais forem consolidados. A comunidade científica é unânime ao afirmar que fenômenos desta magnitude tornam-se cada vez mais frequentes devido à interferência humana no clima.

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