GOVERNO DOS EUA AGE

EUA sancionam duas pessoas e três empresas brasileiras ligadas ao PCC

Presidente dos EUA Donald Trump em coletiva de imprensa
Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com jornalistas em Paris, em 17 de junho de 2026. — Foto: Reuters/Evelyn Hockstein

Ação visa combater lavagem de dinheiro e tráfico de drogas, com foco em operações na Flórida. Medidas são resposta à ameaça transnacional da facção.

O governo dos Estados Unidos decidiu sancionar duas pessoas e três empresas brasileiras nesta quarta-feira, 01/07/2026, em resposta à crescente ameaça que o Primeiro Comando da Capital (PCC) representa à segurança americana. A Secretaria de Tesouro dos EUA detalhou que a facção criminosa mantém operações significativas na Flórida, envolvendo lavagem de dinheiro e distribuição de drogas. Esta medida sublinha a gravidade com que os EUA encaram a internacionalização das atividades do PCC e seu impacto direto no sistema financeiro e na segurança pública americana.

Entre os alvos da sanção está Victor Henrique de Oliveira Shimada, apontado como peça-chave na ligação entre o PCC e o tráfico internacional de entorpecentes. Operando a partir de São Paulo, Shimada e sua organização teriam lavado mais de US$ 30 milhões em fundos ilícitos. Esses recursos, originados em diversas cidades dos Estados Unidos e arredores, eram transferidos de volta ao Brasil por meio de criptomoedas, em benefício da facção.

O Tesouro americano classifica o PCC como uma das maiores organizações criminosas transnacionais do mundo, com ramificações em países como Japão, Turquia e Reino Unido. As redes investigadas atuam no tráfico de drogas, no contrabando de grandes somas de dinheiro para cartéis e em outras atividades ilícitas destinadas a financiar o PCC.

A ação internacional é conduzida pela Força-Tarefa de Segurança Interna (HSTF), com colaboração do escritório do FBI em Miami, da Seção de Lavagem de Dinheiro, Narcóticos e Confisco do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), e do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC). A estrutura de ocultação de bens ilícitos operava a partir de centros em São Paulo e na Flórida. Uma empresa associada a Shimada foi utilizada para lavar dinheiro proveniente de esquemas de fraude publicitária em um clube de futebol brasileiro, cujos recursos foram desviados. Outras companhias sob seu controle recebiam fundos ilícitos dos EUA, com o objetivo de dissimular sua origem antes de serem introduzidos na economia brasileira.

Stella Stefanie de Oliveira, também sancionada, é identificada como parente e colaboradora de Shimada, auxiliando na logística da operação e na intermediação de grandes movimentações financeiras. Shimada já havia sido denunciado pelo Ministério Público de São Paulo em julho de 2025 por lavagem de dinheiro, no contexto do escândalo VaideBet. Embora os EUA tenham citado o uso da Victory Trading, empresa da qual Shimada é sócio, para lavar dinheiro do clube de futebol, não mencionaram o nome da equipe no comunicado.

Esta marca a terceira sanção do OFAC contra o PCC. A primeira ocorreu em 2021, por envolvimento com tráfico internacional de drogas. Em 2024, Diego Macedo Gonçalves do Carmo foi punido pelo órgão por suposta lavagem de dinheiro para a organização criminosa.

Anteriormente, em 29 de maio, o Departamento de Estado dos EUA classificou o PCC e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. Essa designação, em vigor desde 5 de junho, pode abrir caminho para ações americanas mais rigorosas e unilaterais, incluindo sanções a cidadãos e empresas brasileiras.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário