DECISÃO COMERCIAL TRAVA BRASIL

EUA propõem tarifa de 25% sobre mercadorias brasileiras; Jamieson Greer anuncia decisão

Presidente Donald Trump aponta o dedo durante reunião de gabinete na Sala do Gabinete da Casa Branca.
Presidente Donald Trump durante reunião na Casa Branca, em Washington, DC, EUA, em 27 de maio de 2026.

Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, detalha medidas que visam retaliação por práticas comerciais consideradas "irrazoáveis". O prazo para definição e aplicação das sanções é 15 de julho de 2026.

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) decidiu, na noite de segunda-feira (1º de junho de 2026), propor uma tarifa de 25% sobre diversas mercadorias brasileiras. A medida, justificada pelo governo americano como retaliação a atos, políticas e práticas do governo do Brasil consideradas "irrazoáveis" e "oneram ou restringem" o comércio norte-americano, impacta a dignidade e os interesses de produtores e trabalhadores brasileiros. A decisão se baseia na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 e foi determinada pelo presidente Donald Trump, após investigação iniciada em 15 de julho de 2025. A importância desta medida reside no seu potencial de desequilibrar relações comerciais e afetar diretamente a economia nacional, mas é importante notar que o prazo legal para a tomada das medidas corretivas expira em 15 de julho de 2026, indicando que a decisão atual não é definitiva.

Apesar da proposta abrangente, alguns produtos essenciais e estratégicos ficarão de fora da tarifa. Entre os itens que devem ser poupados estão materiais informativos, doações, e uma lista específica de produtos como certas carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens. Aeronaves e peças, terras raras, produtos químicos orgânicos, fármacos e fertilizantes também estão na lista de isentos.

O embaixador e Representante Comercial dos EUA, Jamieson Greer, enfatizou que, apesar do diálogo intenso com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, divergências substanciais persistem. A conclusão desta investigação ocorre dentro do prazo estabelecido para negociações de um grupo de trabalho bilateral, que busca evitar a aplicação de novas tarifas. Contudo, o avanço nas conversas foi considerado insuficiente até o momento.

O grupo de trabalho foi criado após a visita do presidente brasileiro aos Estados Unidos em 7 de maio, na Casa Branca. A USTR celebrou o "engajamento construtivo" do Brasil, mas as questões comerciais permanecem em pauta.

Os pontos criticados pelos EUA

O relatório final do USTR detalha críticas distribuídas em seis eixos principais, apontando irregularidades e barreiras comerciais:

  • **Comércio Digital e Serviços de Pagamento (Pix):** O órgão critica ordens judiciais brasileiras sigilosas contra empresas de mídia social dos EUA para remoção de conteúdo político e suspensão de perfis, além de multas severas e restrições. O Banco Central do Brasil é acusado de favorecer o sistema Pix em detrimento de provedores americanos.
  • **Tarifas Preferenciais Desleais:** Contestação a acordos comerciais do Brasil com México e Índia, que concederiam tarifas mais baixas a produtos de setores competitivos.
  • **Desmatamento Ilegal:** Afirmação de falha histórica na aplicação eficaz do marco legal para combater o desmatamento.
  • **Acesso ao Mercado de Etanol:** Alegação de interrupção abrupta do tratamento tarifário equilibrado para o etanol brasileiro em 2017, sem reciprocidade para exportações dos EUA.
  • **Proteção da Propriedade Intelectual:** Constatação de insuficiente aplicação de leis contra falsificação, lentidão no exame de patentes e falta de medidas antipirataria contínuas, com destaque para a demora do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em analisar patentes biofarmacêuticas.
  • **Combate à Corrupção:** Conclusão de que o Brasil não adota medidas suficientes, citando a anulação de processos da Operação Lava Jato pelo STF, renegociação de acordos de leniência sem transparência e queda no Índice de Percepção da Corrupção.

Próximos passos e prazos

Antes da aplicação definitiva de sanções, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas:

  • Até 22 de junho de 2026: Envio de solicitações de comparecimento à audiência pública com resumo do depoimento.
  • Até 1º de julho de 2026: Envio de comentários por escrito sobre as medidas propostas pelo USTR.
  • 6 de julho de 2026: Realização da audiência pública oficial pelo USTR.
  • 15 de julho de 2026: Prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil.

A fase inicial da investigação já contou com depoimentos de mais de 30 testemunhas e mais de 295 comentários e réplicas.

Por que o Brasil virou alvo de investigação

A investigação comercial contra o Brasil foi iniciada em 15 de julho de 2025, a pedido do presidente Donald Trump. O documento do USTR alegou "práticas comerciais desleais" e "déficit comercial", embora os EUA exportem mais para o Brasil desde 2009. A medida, que utiliza um processo conduzido pelo Representante de Comércio para apurar práticas abusivas, tem precedentes na imposição de tarifas sobre produtos chineses por Trump e Joe Biden.

É importante contextualizar que, em 20 de fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos Estados Unidos anulou tarifas impostas com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), decisão que impactou sobretaxas anteriores, incluindo uma de 40% sobre itens brasileiros anunciada por Trump em julho de 2025. Atualmente, a tarifa global de 10% permanece até 24 de julho de 2026, com exceções, e a decisão da Suprema Corte retirou a base legal para a imposição unilateral de tarifas pelo presidente.

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