DECISÃO AMERICANA

EUA propõem novas tarifas sobre produtos brasileiros; entenda o impacto

Ilustração mostrando Donald Trump com símbolos de tarifas sendo aplicadas sobre o mapa do Brasil.
Propostas de tarifas dos EUA para produtos brasileiros geram tensão diplomática.

Propostas de 25% e 12,5% para produtos brasileiros somam 37,5%. O governo de Donald Trump decide até 15 de julho. O ministro Márcio Elias Rosa se reúne com o chefe do USTR nesta sexta-feira (12/06/2026) para discutir o tema.

O governo dos Estados Unidos está avaliando a imposição de novas tarifas sobre produtos brasileiros, que podem elevar os impostos de importação em até 37,5%. As propostas, apresentadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) entre 1º e 2 de junho de 2026, visam combater supostas práticas desleais de comércio e a importação de produtos feitos com trabalho análogo à escravidão. A decisão final caberá ao presidente Donald Trump, com prazo estipulado para 15 de julho de 2026, quando as taxas poderão entrar em vigor imediatamente, caso não haja negociação entre os países. Uma das propostas consiste em uma tarifa adicional de 25%, decorrente de uma investigação iniciada em 15 de julho de 2025 sobre práticas desleais de comércio. A segunda, de 12,5%, é resultado de uma investigação global do USTR sobre o uso de trabalho forçado. O governo norte-americano abriu consulta pública sobre o caso brasileiro, com manifestações aceitas até 6 de julho e audiência marcada para o dia seguinte. Em resposta, o ministro Márcio Elias Rosa, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), tem agendado um encontro virtual nesta sexta-feira, 12 de junho de 2026, com o chefe do USTR, Jamieson Greer. Paralelamente, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manifestou sua discordância, classificando as alegações dos EUA como "mentiras". Lula embarca para a Europa neste domingo (14 de junho) para participar da reunião do G7, na França, onde pretende negociar pessoalmente com Donald Trump a retirada das propostas de tarifas. As novas tarifas de 2026 marcam uma escalada na disputa comercial, que tem raízes em investigações iniciadas em 2025. Uma investigação específica contra o Brasil, com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos, foi aberta em julho de 2025, citando críticas sobre o funcionamento do Pix, tarifas de importação elevadas, dificuldades para exportação de etanol, combate à pirataria e falhas na proteção da propriedade intelectual. A investigação sobre trabalho forçado, por sua vez, abrange 59 países, incluindo o Brasil e membros da União Europeia. É importante notar que a atual tarifa global de 10%, em vigor desde fevereiro de 2026 e com validade até o final de julho de 2026, pode ou não se somar às novas propostas. A estrutura das tarifas adicionais exclui produtos estratégicos para a economia norte-americana, como café, carne bovina, suco de laranja e aeronaves, a fim de evitar aumento da inflação nos EUA. No entanto, a política tarifária brasileira, historicamente protecionista e com tarifas médias elevadas, é apontada pelos EUA como um dos entraves ao acesso de seus produtos no mercado nacional. O governo brasileiro já apresentou sua defesa ao USTR, rebatendo as críticas sobre o Pix, a abertura do mercado a produtos estrangeiros, o combate ao crime organizado, a proteção à propriedade intelectual, o programa de biocombustíveis e as metas ambientais. Caso as tarifas sejam implementadas, o Brasil poderá considerar uma contestação na Organização Mundial do Comércio (OMC).

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