JUSTIÇA DOS EUA

EUA acusam criminalmente Raúl Castro por abate de aeronaves em 1996

Foto da fachada do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, em Washington, D.C.
Sede do Departamento de Justiça dos EUA em Washington, D.C.

O ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, enfrenta acusações criminais nos Estados Unidos relacionadas ao abatimento de duas aeronaves civis em 1996. A ação, que resultou na morte de quatro pessoas, levanta questões sobre soberania e diplomacia internacional.

Um marco inédito na diplomacia entre Estados Unidos e Cuba: o ex-presidente cubano Raúl Castro foi formalmente acusado criminalmente em solo americano. A decisão, tomada nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, visa responsabilizá-lo pelo abatimento de duas aeronaves civis, pertencentes à organização Irmãos ao Resgate, em 1996. Na época, Castro ocupava o posto de ministro da Defesa e as acusações incluem conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronave e homicídio. O incidente, que vitimou quatro homens, três deles cidadãos dos Estados Unidos, é o cerne da investigação que agora atinge o ex-líder cubano. O escritório do Procurador dos EUA em Miami planeja um evento a partir das 14h (horário de Brasília) para homenagear as vítimas, buscando dar um desfecho simbólico e justo a um capítulo doloroso das relações bilaterais. Diante da acusação, o governo cubano, por meio de seu ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, reiterou a postura de soberania e desenvolvimento socialista da ilha. "Apesar do embargo (dos EUA), das sanções e das ameaças de uso da força, Cuba continua em um caminho de soberania rumo ao seu desenvolvimento socialista", declarou Rodríguez, em resposta indireta ao movimento americano. A iniciativa dos Estados Unidos ocorre em um contexto de endurecimento das políticas americanas em relação a Cuba, com o governo atual buscando pressionar por mudanças internas na ilha. O histórico de acusações criminais contra líderes estrangeiros pelos EUA é raro, tornando esta medida particularmente significativa. O governo americano mantém um bloqueio econômico à ilha, que tem agravado a crise interna, especialmente no fornecimento de combustíveis e na geração de energia. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, um crítico vocal do regime cubano e filho de imigrantes da ilha, ofereceu ajuda financeira no valor de US$ 100 milhões, condicionada à sua distribuição por entidades confiáveis como a Igreja Católica, e culpou a liderança cubana pela escassez de bens essenciais. Em resposta, Rodríguez acusou Rubio de "porta-voz de interesses corruptos e vingativos", mas não descartou a possibilidade de receber a ajuda, ironizando o cinismo da oferta diante do impacto do embargo. A figura de Raúl Castro é central na história cubana. Ao lado de seu irmão, Fidel Castro, liderou a guerrilha que derrubou Fulgencio Batista e auxiliou na defesa contra a invasão da Baía dos Porcos em 1961. Esta acusação contra um adversário histórico dos EUA ecoa casos como o de Nicolás Maduro, ex-presidente da Venezuela, acusado de tráfico de drogas, que serviu de justificativa para sanções e pressões americanas. O governo cubano, por meio do presidente Miguel Díaz-Canel, já alertou que qualquer ação militar dos EUA resultaria em um "banho de sangue", reafirmando a resistência da ilha.

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