ALERTA CLIMÁTICO GLOBAL

Estudo revela que microplásticos aceleram aquecimento global

Microplásticos: Minúsculos no nome, gigantescos no problema.
Microplásticos: Minúsculos no nome, gigantescos no problema.

Pesquisa da Universidade Fudan, publicada em 04/05/2026, mostra que partículas pigmentadas absorvem 75 vezes mais luz solar, impactando a Terra de forma subestimada.

Pesquisadores liderados por Hongbo Fu, da Universidade Fudan, na China, revelaram nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, que micro e nanoplásticos suspensos na atmosfera intensificam o aquecimento global. O estudo, publicado na revista Nature Climate Change, demonstra que essas minúsculas partículas pigmentadas absorvem luz solar de forma muito mais eficaz do que se imaginava, gerando um efeito de aquecimento equivalente a 16,2% do produzido pela fuligem. Esta descoberta tem implicações profundas para a saúde planetária e o futuro das gerações, alertando que os modelos climáticos atuais subestimam o impacto real da poluição plástica em nosso planeta.

A pesquisa estima que essas partículas geram um efeito de aquecimento equivalente a 16,2% do produzido pela fuligem — um dos principais poluentes associados ao aquecimento global, depois dos gases de efeito estufa. Os pesquisadores apontam que os modelos climáticos atuais subestimam o efeito do plástico no ar porque, em geral, tratam essas partículas como incolores.

No mundo real, no entanto, a maior parte do plástico em circulação possui pigmentos — e a cor faz toda a diferença: partículas pigmentadas absorvem cerca de 75 vezes mais luz solar do que as transparentes. Os micro e nanoplásticos são fragmentos de plástico de até um milímetro, que se formam quando objetos maiores se decompõem pela ação do sol e do desgaste mecânico.

Esses fragmentos já foram detectados desde o fundo dos oceanos até o topo do Everest e nos núcleos de gelo polar, com registros de deposição contínua desde a década de 1960. A onipresença dessas partículas sublinha a extensão do problema e a necessidade urgente de uma compreensão mais aprofundada.

Como o plástico aquece o ar

Quando partículas suspensas absorvem a luz solar, elas aquecem o ar ao redor — um fenômeno conhecido como forçamento radiativo. É o mesmo mecanismo pelo qual a fuligem, proveniente da queima de combustíveis fósseis e da queimada de florestas, contribui para o aquecimento global.

A equipe liderada pelo pesquisador Hongbo Fu mediu como diferentes tipos de plástico interagem com a luz, levando em conta tamanho, cor, tipo de polímero e envelhecimento. Os pesquisadores utilizaram microscopia eletrônica de alta resolução para analisar partículas individuais e combinaram esses dados com simulações de transporte atmosférico.

A cor mostrou ser o principal fator determinante. Plásticos pretos absorvem mais luz, seguidos por amarelos, azuis e vermelhos. Plásticos brancos, por sua vez, têm um efeito mínimo. O tamanho também é crucial: as nanopartículas — menores que um micrômetro — absorvem e dispersam mais luz proporcionalmente à sua massa do que os fragmentos maiores.

Os nanoplásticos também permanecem por mais tempo no ar e chegam a altitudes mais elevadas, ampliando significativamente seu impacto. Um aspecto curioso da pesquisa é que o envelhecimento dos plásticos no ar não altera drasticamente o efeito final. Partículas brancas tendem a amarelar com o tempo e absorver mais luz; já as vermelhas perdem cor e absorvem menos. Os dois efeitos acabam se cancelando, e a capacidade de aquecimento do conjunto se mantém ao longo da vida útil das partículas na atmosfera.

Efeito desigual no globo

Os cientistas combinaram as medições com modelos de transporte atmosférico para estimar o efeito climático global. O resultado é um forçamento radiativo médio de 0,039 watt por metro quadrado para o conjunto das partículas — um valor pequeno em comparação aos gases de efeito estufa, mas significativo quando comparado a outros poluentes já considerados nos modelos climáticos.

A distribuição desse efeito, no entanto, é bastante desigual. Sobre o chamado Giro Subtropical do Pacífico Norte — região conhecida como Grande Mancha de Lixo do Pacífico, onde correntes oceânicas concentram resíduos plásticos —, o aquecimento provocado pelos plásticos chega a ser 4,7 vezes maior que o da fuligem na mesma área.

O Mediterrâneo, o leste da América do Norte e o leste da Ásia também aparecem como pontos de aquecimento mais intenso, diretamente associados às emissões antrópicas. O Hemisfério Norte concentra a maior parte desse efeito, com um aquecimento 4,6 vezes maior que o do Hemisfério Sul, refletindo a desigualdade na produção e descarte de plástico global.

Os modelos também mostram variação sazonal, com picos entre abril e julho — quando ciclones e tufões ajudam a redistribuir as partículas pela atmosfera, espalhando ainda mais essa ameaça invisível. “Os micro e nanoplásticos no ar não são apenas uma questão de contaminação ambiental, mas potencialmente um fator climático emergente”, escreveu o pesquisador italiano Gilberto Binda, da Universidade de Insubria, em comentário publicado na mesma edição da Nature Climate Change. Essa constatação reforça a urgência de repensar a produção e o descarte de plásticos, visando proteger a dignidade do nosso planeta e a qualidade de vida das futuras gerações.

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