COMPORTAMENTO DIGITAL

Tirar print para guardar informação pode prejudicar a sua memória

Smartphone com uma imagem sendo capturada na tela
Foto: Pexels

Pesquisa da Universidade de Binghamton revela que registrar conteúdos na tela reduz a capacidade de recordação, transferindo ao aparelho o esforço cognitivo.

O hábito frequente de realizar capturas de tela para registrar dados importantes pode comprometer a capacidade de recordação, conforme revelado por um estudo conduzido pela Universidade de Binghamton, nos Estados Unidos. A investigação, divulgada na revista Memory & Cognition, demonstra que o ato de salvar digitalmente uma experiência resulta, paradoxalmente, em menor retenção de conteúdo pelos indivíduos.

No experimento, participantes observaram obras de arte e realizaram capturas de tela antes de serem submetidos a testes de memória. O resultado indicou que aqueles que optaram pelo registro tiveram mais dificuldade em recuperar as informações visuais, mesmo quando dispuseram de tempo adicional para a observação.

Sophia Fabrizio, autora principal do estudo, alerta que a prática só apresenta utilidade caso o usuário revisite o material de forma ativa. "A menos que você esteja revisitando ativamente essas imagens como pistas para recuperar e elaborar uma memória, é pouco provável que elas tragam algum benefício", afirma.

Uma das hipóteses levantadas pelos pesquisadores é a transferência do esforço mnemônico para o dispositivo eletrônico. O cérebro, ao entender que a informação está armazenada no aparelho, diminui o processamento necessário para o aprendizado. A pesquisa também sugere que o ato de interromper o fluxo de experiência para acionar a função de captura contribui para o desligamento cognitivo em relação ao que está sendo visto.

Diferente das capturas, o ato de anotar informações exige processos de seleção e organização, o que auxilia na fixação do conhecimento. Portanto, a recomendação dos especialistas é evitar o uso de prints como substitutos da memória, tratando-os apenas como ferramentas auxiliares consultadas com intencionalidade.

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