AVANÇO NA ONCOLOGIA

Estudo inédito dobra a sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas com novo medicamento

Ilustração científica de um pâncreas humano em um esqueleto.
Ilustração colorida de pâncreas em esqueleto humano.

Medicamento experimental dobra sobrevida de pacientes com câncer de pâncreas metastático em estudo clínico. Drogas que atuam em mutações RAS são consideradas um marco terapêutico.

Um medicamento experimental, apresentado na ASCO Annual Meeting 2026, trouxe resultados promissores para o tratamento do câncer de pâncreas metastático, um dos tumores mais agressivos da oncologia. A decisão de apresentar esses dados consolida um avanço crucial em uma área terapêutica com poucas novidades nas últimas décadas. O estudo de fase 3, denominado RASolute 302, avaliou pacientes previamente tratados e portadores de mutações em genes da família RAS, demonstrando um potencial significativo para aumentar a sobrevida em comparação com a quimioterapia padrão. A importância desta descoberta reside na esperança renovada para pacientes que enfrentam essa doença desafiadora e na abertura de novas frentes de pesquisa e tratamento.

Os dados revelam que os participantes que receberam o medicamento daraxonrasib alcançaram uma sobrevida global mediana de 13,2 meses, um resultado significativamente superior aos 6,7 meses observados no grupo que utilizou quimioterapia convencional. Adicionalmente, o estudo apontou uma redução de aproximadamente 60% no risco de morte, impactando diretamente a qualidade e a expectativa de vida dos pacientes.

O oncologista clínico Diogo Bugano, do Einstein Hospital Israelita, enfatiza a relevância desses achados. "Há 50 anos tratamos câncer de pâncreas com quimioterapia, apenas. Os vários avanços da oncologia, como terapia-alvo, anticorpos monoclonais e imunoterapia, ainda não tinham funcionado para câncer de pâncreas. Pela primeira vez temos um tratamento-alvo funcionando", declarou.

O daraxonrasib atua de forma inovadora. As mutações em proteínas da família RAS são alterações genéticas comuns em diversos tumores, especialmente nos de pâncreas, pulmão e cólon. Por muito tempo, o desenvolvimento de medicamentos capazes de bloquear essas proteínas foi um grande desafio. Segundo Bugano, o daraxonrasib se distingue por formar um complexo com moléculas que se ligam ao RAS, impedindo que a proteína interaja com componentes celulares cruciais para o crescimento tumoral. Esse mecanismo peculiar levou pesquisadores a apelidarem a droga de "cola molecular".

Entendendo o Câncer de Pâncreas

Cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas apresentam mutações em RAS, o que amplia o potencial de aplicação desta nova abordagem terapêutica. Especialistas já exploram o uso do daraxonrasib em estágios iniciais do tratamento da doença.

Apesar dos avanços, desafios persistem. Como a droga pode afetar proteínas RAS em células normais, alguns pacientes experimentam efeitos adversos, como diarreia e lesões de pele. O desenvolvimento de resistência tumoral ao tratamento, um fenômeno comum em terapias-alvo, também é um ponto de atenção.

O medicamento ainda não está disponível comercialmente. A expectativa é que a empresa responsável busque aprovação regulatória nos Estados Unidos nos próximos meses. Atualmente, não há previsão para sua disponibilização no Brasil.

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