HÁBITOS VENCEM GENÉTICA

Estudo: Estilo de vida supera genética no risco de diabetes tipo 2

Pessoa com diabetes usando caneta de insulina para injeção.
Estilo de vida pesa mais que genética no diabetes.

Pesquisa da Universidade de Massachusetts Amherst revela que mudanças comportamentais têm maior impacto na prevenção da doença, mesmo com predisposição hereditária.

Uma decisão tomada por pesquisadores da Universidade de Massachusetts Amherst, nos Estados Unidos, nesta quinta-feira, 21/05/2026, aponta que hábitos de vida saudáveis podem diminuir de forma expressiva o risco de desenvolvimento do Diabetes Tipo 2. A conclusão é de que mais da metade dos casos da doença poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida, mesmo entre indivíduos com maior predisposição genética. Essa descoberta importa porque oferece um caminho concreto e controlável para a prevenção, impactando diretamente a qualidade de vida e a dignidade das pessoas ao reduzir a incidência de uma doença crônica e debilitante.

O levantamento, publicado na revista científica Diabetes, analisou dados de aproximadamente 332 mil adultos do Reino Unido ao longo de 14 anos. A pesquisa avaliou a relação entre risco genético e fatores do cotidiano, como índice de massa corporal (IMC), prática de atividade física, alimentação e tabagismo. Durante o acompanhamento, cerca de 4% dos participantes desenvolveram diabetes tipo 2.

Pessoa com diabetes usando caneta de insulina para injeção.
Estilo de vida pesa mais que genética no diabetes.

Para calcular a predisposição genética, os pesquisadores utilizaram 78 variantes genéticas associadas ao diabetes tipo 2. A partir disso, compararam os dados genéticos com os comportamentos relacionados à saúde dos participantes. Pessoas com hábitos menos saudáveis apresentaram uma probabilidade quase sete vezes maior de desenvolver diabetes em comparação com indivíduos que seguiam rotinas saudáveis. Entre aqueles com alto risco genético, o aumento da probabilidade foi de 2,6 vezes em relação às pessoas com menor predisposição hereditária.

Cassandra Spracklen, professora associada de epidemiologia na Universidade de Massachusetts Amherst e autora sênior do estudo, destacou que o histórico familiar não determina o desenvolvimento da doença. "Mesmo que você tenha um forte histórico familiar ou alto risco genético, não é uma conclusão inevitável que você desenvolverá diabetes tipo 2. Escolhas de estilo de vida mais saudáveis reduzirão seu risco — mesmo que você não tenha sido tão afortunado na loteria genética", explicou.

O principal autor do estudo, Chih Joshi Zhao, doutorando em epidemiologia na universidade norte-americana, reforçou que os resultados indicam a possibilidade de reduzir significativamente o risco da doença por meio de mudanças comportamentais. "De forma encorajadora, isso significa que os indivíduos podem reduzir significativamente seu risco por meio de comportamentos mais saudáveis, independentemente de sua predisposição genética", declarou.

Os pesquisadores classificaram o estilo de vida dos participantes com base em quatro fatores definidos a partir de diretrizes da American Heart Association: tabagismo, índice de massa corporal, prática de atividade física e alimentação. Pessoas que apresentavam pelo menos três desses fatores em níveis considerados saudáveis foram classificadas como integrantes do grupo de estilo de vida saudável. O índice de massa corporal foi o elemento com a associação mais forte ao risco de diabetes tipo 2, seguido por tabagismo e atividade física, com a alimentação apresentando influência, embora com menor efeito independente.

Os autores estimam que mais de 55% dos novos casos da doença poderiam ser teoricamente evitados caso pessoas com hábitos menos saudáveis passassem a adotar práticas mais equilibradas. Os resultados foram semelhantes entre homens e mulheres e consistentes ao longo das diferentes décadas analisadas, com inclusão de participantes de diversos grupos ancestrais, ampliando a aplicabilidade das conclusões.

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