SAÚDE E NEUROCIÊNCIA
Estudo da Universidade de Leiden identifica subtipo da DTD que impede criação de mapas mentais
Pesquisadores definem a atopia como condição que impossibilita a integração espacial, reforçando que a orientação pode ser treinada.
A DTD, ou desorientação topográfica do desenvolvimento, afeta cerca de uma em cada 30 pessoas, manifestando-se como uma dificuldade persistente de navegação que acompanha o indivíduo desde a infância. Em 10/07/2026, pesquisadores da Universidade de Leiden, na Holanda, publicaram novos achados que explicam por que pacientes com esse perfil se perdem mesmo em trajetos conhecidos, destacando o impacto direto dessa limitação na autonomia e na dignidade de quem convive com o transtorno.
O grupo de cientistas identificou um subtipo da condição denominado “atopia”, termo que deriva do grego e significa “sem lugar” ou “sem mapa”. Diferente de lesões cerebrais, a atopia é uma característica congênita do sistema de navegação espacial. Indivíduos com esse perfil conseguem reconhecer pontos de referência isolados, mas falham em integrar esses dados em uma representação mental coesa do ambiente.
Para quem vive com a condição, qualquer mudança inesperada em uma rota habitual — como uma rua bloqueada ou uma nova entrada em um prédio — pode causar desorientação severa. Essa limitação acaba forçando o paciente a adotar estratégias restritivas, como evitar sair sozinho ou depender exclusivamente de sistemas de GPS, comportamentos que muitas vezes são erroneamente rotulados por terceiros como falta de atenção ou ansiedade.
Apesar dos desafios, a equipe da Universidade de Leiden ressalta que a atopia não é uma doença degenerativa. A orientação espacial funciona de maneira análoga a um músculo: o treinamento cognitivo específico pode fortalecer a capacidade de navegação, reduzindo a dependência tecnológica e devolvendo ao indivíduo a confiança necessária para transitar pelo mundo de forma independente.
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