SAÚDE E MEMÓRIA

Morre Lucimar das Neves Ferreira, sobrevivente do desastre do Césio-137 em Goiás

Foto de arquivo de Lucimar das Neves Ferreira
Lucimar das Neves Ferreira, irmão de Leide das Neves Ferreira, foi atingido aos 14 anos pela radiação do Césio-137. Foto: Reprodução/Instagram

O homem, que foi exposto à radiação aos 14 anos, faleceu em Aparecida de Goiânia; ele acompanhava sequelas de saúde que exigiam tratamento contínuo.

Lucimar das Neves Ferreira, sobrevivente do desastre radiológico do Césio-137, faleceu em Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital. A decisão sobre a confirmação do óbito foi comunicada pela família e pela Associação das Vítimas do Césio-137, que acompanhavam o histórico de saúde delicado do homem, marcado pela exposição à radiação sofrida ainda na infância.

O falecimento ocorreu na residência onde Lucimar vivia. De acordo com informações da Associação das Vítimas do Césio-137, a causa da morte não foi divulgada oficialmente. O caso traz à tona, novamente, o impacto duradouro do acidente que feriu profundamente a dignidade e a integridade física de dezenas de pessoas em Goiânia.

O presidente da associação, Marcelo Santos Neves, relatou que o paciente enfrentava problemas de saúde recorrentes e estava em busca de tratamento médico. "Ele foi encontrado morto, dormiu e não levantou", afirmou. Marcelo recordou episódios recentes em que o homem sofreu desmaios em via pública, sendo necessário atendimento emergencial no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo) há cerca de três meses.

Lucimar era irmão de Leide das Neves Ferreira, a menina de 6 anos que se tornou o maior símbolo da tragédia ocorrida em 13 de setembro de 1987. Naquela data, uma cápsula contendo Césio-137 foi retirada de um aparelho de radioterapia abandonado no antigo Instituto Goiano de Radiologia, na Avenida Paranaíba, no Centro de Goiânia.

O material radioativo passou por mãos de catadores até chegar ao ferro-velho de Devair Alves Ferreira. Em 24 de setembro de 1987, Ivo Alves Ferreira, pai de Leide e Lucimar, levou fragmentos da substância para a residência da família. O contato direto e a ingestão de partículas causaram a morte de Leide em 23 de outubro daquele mesmo ano, vítima da síndrome aguda da radiação no que é considerado o maior acidente radiológico do Brasil.

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