SAÚDE CEREBRAL EM RISCO

Estudo associa uso precoce de drogas a declínio da memória

Jovem segurando um cigarro, imagem que representa o risco do consumo de substâncias na juventude para a memória e o cérebro.
Jovem com cigarro aceso na mão, símbolo dos riscos à saúde cerebral.

Pesquisa longitudinal da Universidade de Michigan detalha os danos duradouros do álcool, cigarro e maconha no cérebro.

Um alerta contundente emerge da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, revelado nesta segunda-feira, 11 de maio de 2026: o consumo excessivo de álcool, cigarro e maconha na juventude está diretamente ligado à perda de memória na meia-idade. Publicada no Journal of Aging and Health, esta descoberta destaca a urgência de intervenções preventivas para proteger a saúde cerebral, enfatizando que o impacto pode comprometer drasticamente a qualidade de vida futura de indivíduos, mesmo quando não consideram seu uso problemático.

A pesquisa, uma avaliação longitudinal, acompanhou 2.450 participantes por décadas. Inicialmente, investigou a frequência e o volume de consumo de álcool, cigarro e maconha entre os 18 e 30 anos, no período de 1976 a 1991. Anos mais tarde, entre 2018 e 2023, os mesmos voluntários foram submetidos a testes para avaliar sua capacidade de memória quando já estavam na faixa dos 50 a 65 anos.

Entre os achados, destaca-se uma diferença crucial no modo como essas substâncias afetam o cérebro: enquanto o cigarro está associado diretamente ao declínio mental na meia-idade, o uso excessivo de álcool e maconha exerce um efeito indireto. Ao aumentar o risco de consumo de múltiplas substâncias por volta dos 30 anos, essas drogas também elevam a probabilidade de perda cognitiva no futuro.

Adicionalmente, o estudo constatou que mesmo indivíduos que cessaram o uso dessas drogas apresentaram um desempenho cognitivo inferior na velhice, quando comparados àqueles que nunca as utilizaram. “Especialistas já sabiam que tanto o cigarro e o álcool quanto as drogas ilícitas, como a maconha, alteram o funcionamento das funções executivas e o quadro cognitivo”, explica o psiquiatra Gabriel Okuda, do Einstein Hospital Israelita.

Para além do impacto imediato, observam-se alterações estruturais, neuroinflamatórias e na neuroplasticidade que acabam por comprometer o funcionamento cerebral a longo prazo. No caso do álcool, evidências mostram que ele causa morte neuronal direta. “A longo prazo, sabe-se que o consumo está associado a alterações na substância branca e cinzenta, no hipocampo e no córtex pré-frontal, regiões associadas intrinsecamente à memória e às funções cognitivas”, detalha Okuda.

O cigarro, por sua vez, impacta severamente o sistema vascular. Além de estar associado à inflamação, ele altera a vascularização cerebral, comprometendo o fluxo sanguíneo e aumentando significativamente o risco de microinfartos. Já a maconha afeta regiões relacionadas a funções executivas vitais como foco, atenção, memória e velocidade de processamento, resultando em uma piora cognitiva geral. Vale lembrar que a droga também é um dos principais gatilhos para quadros de esquizofrenia e outros transtornos mentais, alertando para um impacto ainda mais amplo na saúde mental.

O período de formação cerebral, que se estende até os 25 anos, é crítico para todos esses riscos. “Por isso, quanto mais cedo se utiliza qualquer droga nesse período, e quanto maior for a quantidade, maior o risco de reduzir a neuroplasticidade e o neurodesenvolvimento, com um impacto negativo profundo ao longo da vida”, alerta o psiquiatra.

É fundamental ressaltar: não há nível de uso seguro dessas substâncias. Mesmo que o estudo não tenha se aprofundado no impacto do consumo recreativo ou moderado, qualquer quantidade ou exposição é prejudicial, representando um perigo latente para a saúde cerebral.

Sinais de Alerta

Alguns sinais apontam para a necessidade urgente de buscar ajuda profissional, seja de um psicólogo ou psiquiatra. Entre eles, destacam-se a piora no desempenho profissional ou escolar, quando o indivíduo não consegue produzir ou entregar o que precisa. Também deve chamar atenção a dificuldade persistente de manter relações saudáveis com familiares e amigos, evidenciando um isolamento social.

Outro alerta importante é o aumento no consumo, tanto em volume quanto em frequência, o que pode indicar tolerância – a necessidade de usar mais para obter o mesmo efeito. Além disso, utilizar a substância como forma de aliviar estresse ou tristeza sugere que ela se tornou uma espécie de “companheira” do dia a dia, aumentando exponencialmente o risco de dependência e prejudicando a capacidade de lidar com emoções de forma saudável.

Por fim, a presença de sintomas de abstinência — como tontura, tremores, sudorese, coração acelerado, palpitação, mal-estar geral, ansiedade, irritabilidade, piora do sono e nervosismo — indica um quadro que exige atendimento especializado imediato, pois sinaliza que o corpo já desenvolveu uma dependência física e psicológica.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário