EDUCAÇÃO EM FOCO
Estudo aponta retorno de R$ 3,49 para cada R$ 1 investido em Ensino Médio Integral no Brasil
Pesquisa do Instituto Natura revela ganhos em renda, empregabilidade e redução da evasão escolar com o modelo. Vladimir Ponczek e Maria Slemenson destacam potencial transformador.
Um levantamento realizado sobre o Ensino Médio Integral (EMI) no Brasil demonstra que o investimento neste modelo educacional gera um retorno social significativo para a comunidade. A análise, divulgada nesta quinta-feira, 25/06/2026, aponta que para cada R$ 1 aplicado no sistema, R$ 3,49 retornam para a população local.
O estudo, conduzido pelo Instituto Natura, baseou-se em dados de egressos da rede pública de ensino do Estado de Pernambuco, um estado pioneiro na adoção do EMI e que planeja expandir o modelo em larga escala para otimizar o custo por vaga na gestão pública. A pesquisa simulou diversos cenários para a implementação de novas políticas públicas, indicando que um maior investimento resulta em maior eficiência e, consequentemente, em mais retornos econômicos para a região.
Os resultados vão além da melhoria da qualidade do ensino, promovendo um impacto positivo contínuo na vida dos jovens mesmo após a conclusão do período escolar. Dentre os ganhos mensurados, o estudo identificou um aumento médio de R$ 172 na renda mensal e uma elevação de 3 pontos percentuais na taxa de empregabilidade para egressos do EMI. Adicionalmente, observou-se uma redução de 4,8% na evasão escolar e um crescimento de 8,8% no ingresso ao ensino superior.
"O aluno se torna um profissional mais qualificado, com salários maiores e maior poder de consumo, contribuindo de forma mais robusta para a economia", afirma Vladimir Ponczek, um dos autores do estudo. "No cenário mais otimista, o benefício econômico acumulado ao longo da vida do egresso chega a quase três vezes e meia o valor investido pelo Estado."
Para Maria Slemenson, superintendente do Instituto Natura Brasil, o investimento em educação integral traduz avanços pedagógicos em indicadores econômicos, com subsídios do próprio Estado. Ela ressalta que o EMI é uma ferramenta eficaz para quebrar ciclos de desigualdade e impulsionar o crescimento econômico local.
"O Brasil avançou na oferta da educação integral, mas pode ir além. A cada novo estudo que corrobora com sua relevância, aumenta a urgência por maior compromisso político e gera força para expansão", explica Slemenson. "O Ensino Médio Integral é uma política inegociável para o desenvolvimento do nosso país e há evidências suficientes para colocá-lo no centro da estratégia educacional."
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