DÉFICIT HISTÓRICO
Estatais federais registram rombo recorde de R$ 5,9 bilhões até abril e superam resultado de 2025
O Banco Central divulgou nesta sexta-feira, 29/05/2026, o pior resultado para o período de janeiro a abril desde 2002. Empresas como Correios e Casa da Moeda acumulam perdas.
As empresas estatais federais registraram um déficit de R$ 5,93 bilhões nos primeiros quatro meses de 2026, segundo dados divulgados pelo Banco Central nesta sexta-feira, 29/05/2026. Este montante representa o pior resultado para o período de janeiro a abril na série histórica da instituição, iniciada em 2002, e já supera o total registrado em todo o ano de 2025.
O déficit, que indica que os gastos somados dessas estatais foram superiores às receitas obtidas, reflete um cenário de dificuldades financeiras em diversas companhias. Até então, o maior rombo para este período havia sido de R$ 2,73 bilhões em 2025, sem correção pela inflação.
A série do Banco Central exclui Petrobras e Eletrobras, que foram retiradas do cálculo de estatais federais em 2009, mas a metodologia inclui empresas como Correios, Casa da Moeda, Infraero, Serpro e Dataprev. O conceito utilizado foca na variação da dívida, amplamente adotado em análises fiscais internacionais.
Correios em crise e projeções sombrias
A situação preocupante das estatais federais ocorre em meio a uma crise severa nos Correios. A empresa de logística registrou o 14º trimestre consecutivo de prejuízo desde o 4º trimestre de 2022. O montante acumulado nos primeiros semestres de 2025 foi de R$ 4,36 bilhões.
O presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, alertou no final de 2025 que a empresa precisará de aproximadamente R$ 8 bilhões em 2026 para enfrentar a crise financeira. Esses recursos podem vir de aportes diretos do Tesouro Nacional ou de novos empréstimos.
O projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado pelo governo ao Congresso Nacional em abril, projeta que as estatais federais continuarão apresentando déficits até 2030. A LDO aponta para um possível agravamento da situação econômico-financeira dos Correios, apesar de um plano de reestruturação em curso.
Medidas como redução de custos, saneamento de planos de previdência e saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis e reajuste tarifário buscam reverter o quadro. Contudo, a tendência é que a empresa ainda apresente um prejuízo elevado em 2026.
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