PROTECIONISMO E ESTRATÉGIA

Estados Unidos mantêm 98 investigações comerciais ativas em estratégia global

Sede do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos.
Fachada do prédio do USTR em Washington.

Washington conduz dezenas de inquéritos contra diversas nações, incluindo o Brasil, em um esforço de reequilíbrio tarifário.

O governo dos Estados Unidos mantém, em 18/07/2026, 98 investigações comerciais em fase de tramitação, abrangendo múltiplos parceiros globais. A movimentação, confirmada por dados apresentados pelo analista de Internacional da CNN, Lourival Sant'Anna, reflete uma diretriz de política externa que prioriza a revisão de acordos e o controle de fluxos de importação, desvinculando o cenário de um alvo específico.

A análise ocorre em um momento de tensão diplomática e retórica, motivada pelas recentes declarações de Lula a respeito de uma possível disputa comercial com Donald Trump. O chefe do Executivo brasileiro manifestou intenção de sustentar uma "guerra da narrativa" baseada em fatos, aguardando manifestações oficiais da Casa Branca antes de aprofundar o debate sobre tarifas.

O cenário comercial apresenta discrepâncias significativas entre as nações. Enquanto a tarifa média brasileira é de 11%, os Estados Unidos aplicam 3% e a União Europeia 4%. Setores sensíveis, como o de combustíveis e manufaturados, ilustram essa disparidade: o etanol brasileiro enfrenta 18% de tarifa na entrada dos Estados Unidos, ante 2,5% na direção inversa, enquanto insumos da Braskem podem ultrapassar 60% de taxação devido a medidas antidumping.

As 99 investigações sob a tutela do USTR — das quais 98 seguem ativas — distribuem-se por quatro eixos estratégicos. O primeiro, focado em trabalho forçado, atinge 59 nações, inclusive o Brasil. Os demais eixos tratam de excesso de capacidade industrial, comércio bilateral com países como China, Nicarágua, Alemanha, Canadá, Coreia do Sul e Vietnã, além de litígios específicos sobre serviços digitais, carne bovina e o histórico impasse entre Airbus e Boeing.

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