ALERTA NUTRICIONAL

Especialistas alertam para riscos do excesso de proteína na dieta

Representação gráfica de uma balança com um símbolo de proteína em um lado e um símbolo de saúde no outro, indicando desequilíbrio.
Especialistas alertam para os perigos de um consumo exagerado de proteínas, especialmente de origem animal.

Consumo elevado de proteína, especialmente de origem animal, pode sobrecarregar o organismo e aumentar chances de doenças crônicas, segundo estudos.

Especialistas em nutrição alertam que o consumo excessivo de proteínas, embora este nutriente seja vital para diversas funções corporais, não traz benefícios adicionais e pode, em alguns casos, acarretar problemas de saúde. A proteína, indispensável para a manutenção muscular, produção de hormônios e enzimas, tem ganhado destaque em prateleiras de supermercado, redes sociais e recomendações alimentares. Produtos como cereais, bebidas, pipocas e suplementos frequentemente exibem em seus rótulos o apelo de doses extras do nutriente. Paralelamente, observa-se um aumento no número de pessoas que buscam elevar a ingestão proteica, na crença de que maior quantidade se traduz automaticamente em melhor saúde.

O crescente interesse pelo nutriente é um fenômeno global. Nos Estados Unidos, uma pesquisa realizada em 2025 com três mil adultos revelou que 71% dos participantes buscavam aumentar o consumo de proteínas, superando os 59% registrados em 2022. No Brasil, estudos indicam que a maior parte da população já ingere quantidades adequadas, não necessitando de suplementação ou de um aumento significativo na ingestão proteica.

Para Bettina Mittendorfer, professora de Nutrição e Fisiologia do Exercício na Universidade do Missouri, a ideia de que mais proteína é sempre melhor carece de respaldo científico. Ela explica que não há um limite exato único para o excesso que se aplique a todos, mas os riscos tendem a se elevar quando a ingestão supera significativamente cerca de 1,2 grama de proteína por quilo de peso corporal ao dia.

Pesquisadores apontam entre as principais preocupações o aumento do risco de doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2, certos tipos de câncer, distúrbios digestivos, ganho de peso e, em grupos específicos, complicações renais.

Uma das principais preocupações dos especialistas reside na origem das proteínas consumidas. Grande parte da proteína ingerida pela população provém de fontes animais, como carne bovina, carnes processadas e aves. Um levantamento do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, publicado em 2021, indicou que quase 70% da proteína consumida pelos americanos tem origem animal.

Donald Hensrud, professor associado de Nutrição e Medicina Preventiva da Mayo Clinic, destaca que diversos estudos associam o consumo elevado de carne vermelha e carnes processadas a um risco maior de desenvolver doenças cardíacas e diabetes tipo 2.

Uma análise científica abrangente divulgada em 2023 concluiu que um consumo diário adicional de 100 gramas de carne vermelha eleva em 11% o risco de doença cardiovascular. Para carnes processadas, 50 gramas extras diários foram associados a um aumento de 26% nesse mesmo risco.

Outra pesquisa, publicada no mesmo ano, acompanhou quase 217 mil participantes e identificou que aqueles com maior ingestão de carne vermelha apresentavam um risco 40% superior de desenvolver diabetes tipo 2. Para os maiores consumidores de carnes processadas, o aumento do risco de diabetes tipo 2 chegou a 51%.

Especialistas esclarecem que carnes vermelhas e embutidos frequentemente contêm altos níveis de gorduras saturadas. Essas gorduras podem elevar o colesterol LDL, conhecido como "colesterol ruim", o que, por sua vez, favorece o desenvolvimento de infartos e AVC.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário