DIAGNÓSTICO E ESPERANÇA
Limitações do exoma e o caminho para o diagnóstico genético preciso
Especialista esclarece por que o exoma não deve ser o limite da investigação e aponta o Genoma Completo como alternativa para famílias sem respostas.
O sequenciamento do exoma, frequentemente apresentado como a investigação definitiva para doenças raras e condições neurológicas, tem se mostrado insuficiente para encerrar a jornada de diagnóstico de milhares de famílias. Em artigo de análise, o professor emérito do Departamento de Bioquímica e Imunologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sergio Danilo Junho Pena, defende que o exame deve ser encarado apenas como um ponto de partida, e não como o teto da medicina diagnóstica.
A percepção equivocada de que o exoma constitui uma análise completa do DNA humano gera consequências graves para pacientes e familiares. Embora o teste investigue 20 mil genes, ele foca apenas nas regiões codificantes, que representam de 1% a 2% do mapa genético total. O restante do material genético, muitas vezes ignorado, contém regiões regulatórias e estruturais onde se escondem mutações causadoras de condições como autismo e atrasos no desenvolvimento.
Para famílias que recebem laudos negativos, o impacto psicológico e prático é devastador, muitas vezes levando ao encerramento prematuro das investigações. Segundo o especialista, o sistema de saúde falha ao permitir que a falta de detecção pelo exoma seja interpretada como a exclusão de causas genéticas, quando, na verdade, trata-se apenas de uma limitação da ferramenta utilizada.
A ciência atual, no entanto, oferece caminhos alternativos para reverter esse cenário. A reanálise de dados antigos é um deles; estudos indicam que a revisão de exames realizados há anos, utilizando softwares modernos e bancos de dados atualizados, pode aumentar a taxa de diagnóstico em até 20%. Isso ocorre porque a medicina é dinâmica e novos genes são descobertos constantemente.
Quando a reanálise não traz clareza, a medicina aponta para o sequenciamento do Genoma Completo. Esta abordagem, que antes era restrita ao ambiente acadêmico, tornou-se mais acessível e permite observar 100% do código genético, identificando falhas estruturais invisíveis ao exame convencional. A mudança de paradigma no setor é vista como urgente para devolver às famílias o direito a um diagnóstico e, consequentemente, a um direcionamento terapêutico mais humano e eficaz.
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