TRANSFORMAÇÃO E RESILIÊNCIA

Escola Estadual Professor Luís Soares supera estigma e se torna exemplo de transformação em Natal

Fachada da Escola Estadual Professor Luís Soares, com alunos e professores em atividades.
Escola Estadual Professor Luís Soares em Natal: um exemplo de superação e transformação.

Instituição de ensino em Natal, antes marcada por estigma social, se destaca com projeto de educação fiscal e modelo de tempo integral, elevando a autoestima e o futuro dos alunos.

A Escola Estadual Professor Luís Soares, localizada no bairro Dix-Sept Rosado, zona Oeste de Natal, celebrou em 2025 uma reviravolta histórica. A instituição, que por anos lidou com o estigma de ser comparada ao presídio "Carandiru" devido a um passado de vulnerabilidade e violência, foi reconhecida como um modelo de transformação educacional, impulsionada pela adoção de um novo modelo pedagógico e pelo protagonismo de seus estudantes. A decisão de reformular o ambiente escolar e o foco em novas metodologias de ensino foram cruciais para ressignificar a percepção da unidade e garantir um futuro mais promissor para seus alunos.

O apelido negativo, que remetia a um passado de dificuldades com alunos "fora de faixa", violência e envolvimento com drogas, começou a ser superado no período pós-pandemia da Covid-19, ganhando força em 2023 com a implementação do formato em tempo integral. Essa mudança proporcionou um ambiente mais seguro e acolhedor, permitindo que os jovens passassem mais tempo dedicados aos estudos e atividades extracurriculares, longe dos riscos sociais.

O ápice dessa reinvenção ocorreu em 2025, quando a Escola Luís Soares sagrou-se a primeira vencedora do Prêmio Estadual de Educação Fiscal no Rio Grande do Norte. A conquista não apenas impulsionou a autoestima da comunidade escolar, mas também abriu caminho para a criação de um núcleo dedicado a projetos especiais e olimpíadas estudantis, redefinindo as perspectivas para o futuro da escola.

Hilberth Lucas, 17 anos, estudante do 1º ano do ensino médio, foi um dos protagonistas na criação do projeto vencedor "Minha Escola Depende da Nossa Cidadania". Utilizando inteligência artificial, a iniciativa abordou de forma lúdica a importância dos tributos para a sociedade. "Eu pude ver como funciona todo esse processo da educação e me senti feliz. Eu senti que o que eu estava fazendo na escola valia a pena", relatou o jovem, evidenciando o impacto direto da transformação em sua percepção de valor e pertencimento.

O professor de geografia Allan Avalos, que acompanhou Hilberth, destacou que a participação no prêmio abriu um novo horizonte para a escola. No mesmo ano, a unidade também conquistou uma medalha na Olimpíada do Tesouro Direto de Educação Financeira, consolidando o ano de 2025 como um marco na trajetória da instituição. "A partir dos bons resultados que a gente colheu no ano passado, este núcleo surgiu, para que a gente possa continuar essa pegada", explicou Avalos.

A diretora Simone Alexandre ressalta que, embora o Prêmio Estadual de Educação Fiscal tenha gerado um retorno financeiro revertido em melhorias para a escola, o principal legado foi a mudança na autopercepção dos alunos. "A gente sempre fala que nem foi ganhar o prêmio, mas é que esses meninos possam se ver como capazes de produzir conteúdos como esse, de pensar. Porque muitas vezes eles não se enxergam capazes", pontuou.

A transformação da Escola Luís Soares é um reflexo do investimento em programas como o Programa Nacional de Educação Fiscal (PNEF) e o Programa Estadual de Educação Fiscal (PEF/RN), que visam formar cidadãos mais conscientes e participativos. A iniciativa, pioneira no Rio Grande do Norte desde 1997, busca integrar a sociedade e o ambiente escolar na discussão sobre administração pública e cidadania.

A chefe do Departamento de Educação Fiscal da Associação dos Auditores Fiscais do RN (Asfarn), Mara Bezerra, elogiou a produção da Escola Luís Soares na primeira edição do prêmio, descrevendo-a como "um documento artístico" pela qualidade e clareza na explanação da importância dos impostos. A parceria entre a Asfarn, o Sindicato dos Auditores Fiscais do RN (Sindifern) e a Secretaria de Estado da Educação (SEEC) tem sido fundamental para o estímulo e disseminação da educação fiscal.

O modelo de tempo integral foi apontado como um fator determinante para a recuperação da escola. "Essa escola estava realmente fadada ao fracasso", admitiu Vanézia Luz, da SEEC. Com a implementação deste modelo, os alunos passam mais tempo protegidos no ambiente escolar, reduzindo a exposição à violência e às drogas, especialmente em comunidades mais carentes. Atualmente, 43% das escolas estaduais do Rio Grande do Norte operam em tempo integral, beneficiando mais de 34 mil alunos.

Apesar dos avanços, a Escola Estadual Professor Luís Soares ainda enfrenta desafios, como a necessidade de mais banheiros, a instalação de ar-condicionado em todas as salas e a carência de professores para alguns componentes curriculares, problemas comuns em grande parte da rede pública. No entanto, a direção, o corpo docente e os alunos demonstram resiliência e um compromisso com a continuidade da transformação, baseados na receita de escola em tempo integral, formação cidadã, incentivo ao conhecimento científico e trabalho em equipe, garantindo assim um futuro mais promissor para a comunidade.

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