FUTURO EM JOGO
Erika Hilton defende 'refundar' o Brasil e critica Congresso após derrubada de veto
Deputada do Psol-SP exige 'limpar' o parlamento e abolir a escala 6x1. Discurso no Dia do Trabalhador de 01 de maio de 2026 questiona dignidade e impunidade de golpistas.
A deputada Erika Hilton (Psol-SP) defendeu nesta sexta-feira, 01 de maio de 2026, a necessidade de "refundar o Brasil" e "limpá-lo" do Congresso, em um discurso contundente realizado em São Paulo. A parlamentar expressou sua indignação com a recente derrubada, pelo Congresso Nacional na quinta-feira, 30 de abril de 2026, do veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, uma decisão que, segundo ela, beneficia diretamente condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. Este posicionamento, proferido após duas derrotas significativas para o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em menos de 24 horas, ressalta a tensão política atual e o clamor por reformas que impactam tanto a justiça para crimes contra a democracia quanto a dignidade do trabalhador brasileiro.
Erika Hilton discursou em uma manifestação organizada na Praça Roosevelt, centro de São Paulo. Ela não poupou críticas aos congressistas, que classificou de "inimigos do povo", por rejeitarem o veto que tratava da dosimetria das penas, lei que, na prática, pode reduzir as sanções para crimes de golpe de Estado e abolição do Estado de Direito. Tal medida, conforme a deputada, favoreceria o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 849 indivíduos condenados pelos eventos extremistas de 2023. Em sua fala, também defendeu a derrota do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), nas eleições de 2026, onde ele busca a reeleição.
A deputada afirmou que 2026 será um ano desafiador para as eleições, mas enfatizou que o povo brasileiro tem missões cruciais, como a "abolição" da jornada de trabalho com escala 6 por 1. "Nós temos uma outra missão, que é refundar o Brasil e limpar ele daquele Congresso inimigo do povo, elegendo deputados e senadores que valham a pena e que defendam os interesses da sociedade", declarou Erika.
O Congresso Nacional havia derrubado, na quinta-feira, 30 de abril de 2026, o veto do presidente Lula ao Projeto de Lei da Dosimetria. A deputada reiterou que a decisão do Congresso visa dar "benefícios para si próprio" e "para os bandidos que tentaram dar um golpe de Estado". "O que o Congresso Nacional fez ontem foi dizer que vale tudo. Vale golpe, vale atentar contra o Estado Democrático de Direito, vale banalizar a Constituição", declarou.
Erika Hilton expressou que o brasileiro não deseja "atenuar a pena do bandido do Jair Bolsonaro para o filho dele se tornar presidente". Ela garantiu que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não será presidente, pois os brasileiros vão reeleger Lula. "É tetra!", bradou.
Os discursos da parlamentar ocorreram em meio a atos descentralizados das Centrais Sindicais pelo Brasil no Dia do Trabalhador, com foco principal no fim da escala 6 por 1 e na redução da jornada de trabalho sem corte de salários. As mobilizações tiveram início pela manhã em capitais como Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre, e contaram com a participação de trabalhadores, lideranças sindicais e políticos. Erika alertou que o Congresso precisa compreender essas demandas ou será visto como um "inimigo do povo brasileiro".
Sobre a escala 6 por 1, a deputada pontuou que o Brasil está defasado no debate da redução da jornada de trabalho. Ela defendeu que os cidadãos não podem mais esperar para ter dignidade e tempo de descanso. Erika criticou entidades que, segundo ela, "manipulam os números" e "colocam medo na sociedade" ao prever impactos econômicos negativos com a redução de empregos. Ela também rechaçou a necessidade de uma "compensação" para mitigar os efeitos nas contas das empresas.
"Quando o golpista do Michel Temer quis aprovar uma reforma trabalhista para tirar dignidade do trabalhador, ninguém falou em compensação, em equilíbrio", comparou. "Tudo que é para dar dignidade e direito é sempre essa conversa. As elites brasileiras não se conformam quando os trabalhadores e a camada mais baixa da sociedade começam a conquistar o seu lugar, a sua dignidade e seus direitos", completou a parlamentar. De acordo com a deputada, a proposta de redução de jornada deve ser aprovada ainda no 1º semestre de 2026.
A parlamentar descreveu a escala de trabalho 6 por 1 como "perversa, cruel e desumana" e "obsoleta", por "roubar sonhos, oportunidades e tempo com a família". Para ela, o povo brasileiro anseia por dignidade e tempo de descanso. "Viva o povo desse país que não aguenta mais tanta canalhice desse Congresso Nacional, que é inimigo do povo brasileiro, da classe trabalhadora e dos avanços sociais", finalizou.
Em sua conta na plataforma X, Erika Hilton publicou que "trabalhadoras e trabalhadores tomaram as ruas do país para dizer basta de tanta exploração e tanta manipulação!". Ela concluiu: "O que interessa ao povo brasileiro não é a liberdade de vagabundo golpista! É a ABOLIÇÃO da escala 6×1! Não queremos bolsa-patrão e não queremos 5 anos de transição. Queremos o FIM da escala 6×1 e queremos Bolsonaro e sua trupe golpista na prisão!".
TRAMITAÇÃO NO CONGRESSO
O texto sobre a redução da jornada de trabalho foi aprovado pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara em 22 de abril de 2026, e agora segue para uma comissão especial. A CCJ analisou em conjunto duas PECs (Propostas de Emenda à Constituição) que abordam a redução da jornada semanal de trabalho, atualmente limitada a 44 horas pela Constituição. Na comissão especial, as propostas serão unificadas antes de serem votadas em plenário.
As PECs são:
- PEC 221 de 2019: Propõe reduzir a jornada semanal para 36 horas, com implementação gradual em 10 anos. Mantém a possibilidade de compensação de horários por acordo coletivo. Autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
- PEC 8 de 2025 (apensada à PEC 221 de 2019): Estipula jornada de até 36 horas semanais, distribuídas em 4 dias de trabalho, com 3 dias de descanso. Extingue a escala 6 por 1 e permite ajustes por negociação coletiva. Autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP).
A comissão especial, diferente da CCJ que foca na constitucionalidade, debate a viabilidade, os impactos econômicos e sociais e a conveniência política das propostas. Mesmo que não seja aprovada na comissão, o presidente da Câmara pode encaminhar o texto diretamente para o plenário.
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