DESCOBERTA CIENTÍFICA RARA

Equipe da UnB identifica novo mineral inédito escondido em diamante

Estrutura cristalina da grahampearsonita observada em laboratório.
Imagem microscópica revela a estrutura do novo mineral descoberto em amostra de diamante.

Batizada de grahampearsonita, a substância foi encontrada em Juína, Mato Grosso. O achado amplia o conhecimento sobre as profundezas do planeta.

Uma equipe de pesquisadores liderada pela Universidade de Brasília (UnB) identificou um novo mineral, até então inédito na natureza, escondido no interior de um diamante. A descoberta, consolidada em 11 de julho de 2026, representa um avanço significativo para a geociência ao oferecer uma visão privilegiada sobre as condições extremas existentes entre 450 km e 750 km abaixo da superfície terrestre.

O mineral recebeu o nome de grahampearsonita em homenagem ao pesquisador britânico Graham D. Pearson, uma referência mundial no estudo de diamantes e da composição interna da Terra. A estrutura, um fosfato de fórmula Ca2P2O7, foi localizada em amostras extraídas em Juína, no Mato Grosso, região reconhecida globalmente por abrigar diamantes originados em profundidades extremas do manto.

De acordo com Tiago Jalowitzki, professor da UnB e um dos líderes do estudo, embora composições similares já tivessem sido sintetizadas em laboratório, esta é a primeira vez que o material é encontrado na natureza, seja em nosso planeta ou em meteoritos. O trabalho científico, que contou com uma colaboração internacional envolvendo especialistas da Itália, China e Alemanha, teve seus resultados publicados na revista American Mineralogist em 1º de junho de 2026.

A jornada da descoberta começou com análises no Instituto de Física da UnB, onde foi possível identificar uma assinatura química distinta. A amostra seguiu então para a Universidade de Padova, na Itália, onde a exclusividade da estrutura foi confirmada. Posteriormente, a Associação Mineralógica Internacional oficializou a grahampearsonita como um novo exemplar geológico.

Para a comunidade científica, o achado possui valor inestimável. Segundo Jalowitzki, os diamantes superprofundos funcionam como "cápsulas do tempo". Eles aprisionam minerais em condições extremas e os transportam intactos até a superfície. Ao analisar essa nova composição, os pesquisadores conseguem desvendar processos cruciais, como o modo pelo qual o fósforo é reciclado entre a crosta e o manto, aprofundando a compreensão sobre a dinâmica interna da Terra.

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