RESISTÊNCIA AO SETOR
Entidades da pecuária repudiam exigências da UE sobre uso de antimicrobianos
Quatorze organizações do setor pecuário manifestaram oposição à transposição de normas europeias para a legislação nacional, alegando riscos à competitividade e à soberania regulatória do Brasil.
Quatorze entidades representativas da cadeia produtiva da carne no Brasil formalizaram nesta sexta-feira, 10/07/2026, uma resistência coletiva contra a possível internalização das exigências da UE sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. A decisão, motivada pela preocupação com a perda de autonomia regulatória e o aumento de custos operacionais, visa preservar a competitividade do mercado nacional frente às diretrizes impostas pelo bloco europeu.
A União Europeia proíbe o uso profilático de antibióticos e a aplicação de substâncias promotoras de crescimento, justificando a medida pelo combate à resistência antimicrobiana global. Contudo, as associações argumentam que o Brasil já possui um arcabouço sanitário rigoroso, coordenado pelo MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária), que tem atualizado normas restritivas continuamente, inclusive com publicações recentes em 2026.
Para o grupo, a imposição de critérios específicos de um mercado comprador para toda a produção brasileira é injustificável. As entidades defendem que a conformidade deve ser restrita apenas aos produtores que operam com foco nas exportações europeias, e não como uma regra compulsória para o mercado interno ou outros destinos comerciais.
O setor sustenta que substâncias validadas pelo Codex Alimentarius e reconhecidas pela Organização Mundial do Comércio são essenciais para assegurar o bem-estar animal sob supervisão técnica. A adoção irrestrita de normas estrangeiras, segundo as associações, feriria a soberania nacional ao permitir que pressões comerciais externas ditem a legislação do país sem o devido embasamento técnico local.
Assinam o manifesto a Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso), Famato (Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso), Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Apron (Associação dos Pecuaristas de Rondônia), Unapec (União Nacional da Pecuária), SRB (Sociedade Rural Brasileira), Assocon (Associação Nacional dos Confinadores), Acripará (Associação dos Criadores do Pará), Abeg (Associação Brasileira dos Exportadores de Gado), ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), ACNB (Associação dos Criadores de Nelore do Brasil), ACNMT (Associação dos Criadores de Nelore de Mato Grosso), GPB (Grupo Pecuária Brasil) e MBPS (Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável).
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