MERCADO GLOBAL DE GRÃOS

Brasil mantém liderança na exportação de soja mesmo com retomada de compras pelos EUA

Plantação de soja em território brasileiro durante o período de colheita.
Soja brasileira segue como principal fonte de abastecimento para o mercado chinês.

A China volta a adquirir soja dos Estados Unidos após compromisso bilateral, mas a competitividade brasileira segue preservada diante de custos menores.

O Brasil consolida sua posição de protagonista no mercado internacional de soja, mantendo o domínio sobre as exportações destinadas à China, mesmo diante da recente reaproximação comercial entre Pequim e os Estados Unidos. A dinâmica foi confirmada após o encontro entre o presidente chinês, Xi Jinping, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou um esforço mútuo para o cumprimento de metas de importação estabelecidas até 2028.

Os dados mais recentes das autoridades chinesas demonstram que, em junho, o país importou 13,554 milhões de toneladas de soja. Desse total, quase 90%, ou 12,075 milhões de toneladas, foram originadas no Brasil. Apenas uma fração menor, de 1,26 milhão de toneladas, teve os Estados Unidos como fornecedores, confirmando que a preferência asiática permanece fortemente ligada à oferta brasileira.

A força da soja brasileira no mercado externo é sustentada por uma vantagem econômica clara. Atualmente, o produto do Brasil é negociado entre US$ 0,50 e US$ 0,60 por bushel abaixo do preço da soja norte-americana. Além disso, o custo médio de produção no país apresenta uma economia de US$ 1,20 por bushel em comparação aos produtores dos EUA, garantindo competitividade mesmo em cenários de maior oferta global.

Apesar da tendência de aumento nas compras chinesas de soja americana a partir de setembro — período que marca a migração sazonal das aquisições para a safra do Hemisfério Norte —, especialistas pedem cautela. Carlos Cogo, Sócio-Diretor da Consultoria Cogo Inteligência, ressalta que a execução real desses compromissos de compra depende de variáveis críticas. "Ainda há dúvidas se o país asiático vai cumprir com o anúncio de compra de aproximadamente 25 milhões de toneladas anuais", avalia.

O mercado global permanece, por ora, sob alerta climático. De acordo com projeções do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), a safra americana deve atingir 121,8 milhões de toneladas. No entanto, o período de enchimento de grãos entre julho e agosto é determinante. Qualquer oscilação climática severa nos Estados Unidos pode reduzir a produtividade, alterar o equilíbrio de oferta e demanda e, consequentemente, elevar a volatilidade dos preços no segundo semestre.

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