DIPLOMACIA E COMÉRCIO
Empresários de Brasil e EUA buscam acordo comercial contra tarifas
Associações propõem cooperação em setores estratégicos para evitar sobretaxas de 25% que podem impactar US$ 15 bilhões em exportações brasileiras.
Associações que representam o setor produtivo no Brasil e nos Estados Unidos formalizaram um pedido conjunto por uma solução negociada que evite a imposição de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. O movimento ocorre em meio a investigações comerciais conduzidas pelo governo de Donald Trump, com o objetivo de proteger a estabilidade econômica e os laços bilaterais, garantindo que o diálogo prevaleça sobre medidas unilaterais, conforme documento endereçado a autoridades em 13/07/2026.
A ofensiva diplomática é liderada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce. O setor privado busca alternativas para evitar o chamado “tarifaço”, que, segundo projeções da CNI, pode atingir cerca de 4,2 mil itens brasileiros, totalizando um impacto de US$ 15 bilhões nas exportações para os EUA. O prazo final para uma decisão definitiva sobre o tema é 15 de julho.
O apelo dos empresários enfatiza que o avanço por meio de negociações, em vez de tarifas, preserva empregos e protege o poder de compra dos consumidores em ambos os países. A proposta defende a cooperação em áreas vitais, como data centers, minerais críticos, segurança energética e o setor automotivo, além de sugerir a aceleração do exame de patentes e o apoio à moratória de transmissões eletrônicas da OMC.
O documento foi enviado aos ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, além de nomes-chave do governo americano, como Marco Rubio e Jamieson Greer. Em resposta oficial, o Ministério das Relações Exteriores reforçou que mantém o diálogo com as autoridades norte-americanas, iniciado há um ano, em estrita defesa do interesse nacional e da soberania econômica.
Para Abrão Neto, da AmCham, a aplicação de barreiras seria prejudicial, gerando perda de competitividade e inflação de custos industriais nos Estados Unidos. A preocupação é corroborada pelo mapeamento do Itamaraty, que identificou 43 empresas americanas contrárias à medida, sob o argumento de que não existem substitutos viáveis para insumos brasileiros no mercado interno americano.
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