FRAUDES PREVIDENCIÁRIAS
Empresária depõe à PF sobre supostas fraudes no INSS envolvendo amigo de Lulinha
Roberta Luchsinger confirmou ter sido remunerada por serviços prestados ao investigado conhecido como "Careca do INSS", mas negou conhecimento sobre o esquema de descontos indevidos. O depoimento, colhido nesta quinta-feira, 21/05/2026, busca esclarecer ligações com Lulinha.
{"blocks":[{"key":"b1v56","type":"paragraph","data":{"text":"A Polícia Federal (PF) ouviu, na manhã desta quinta-feira, 21 de maio de 2026, o depoimento da empresária Roberta Luchsinger. Ela é investigada no contexto de fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e seu testemunho visa elucidar sua conexão com Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de "Careca do INSS", e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do Presidente da República."}},{"key":"1m9g1","type":"paragraph","data":{"text":"A oitiva, conduzida por videoconferência e com duração aproximada de 1 hora e 30 minutos, integra um esforço da PF para finalizar cerca de 35 depoimentos pendentes. Tais depoimentos são cruciais para a investigação do esquema de descontos indevidos perpetrados contra aposentados e pensionistas."}},{"key":"7p6h4","type":"heading","data":{"level":3,"text":"Revelações no depoimento"}},{"key":"4a3b9","type":"paragraph","data":{"text":"À PF, Luchsinger admitiu ter recebido remuneração por serviços prestados ao "Careca do INSS" no âmbito da regulação do mercado de canabidiol no Brasil. No entanto, ela declarou desconhecer qualquer envolvimento do investigado no esquema de descontos associativos irregulares direcionados a aposentados e pensionistas. A empresária também afirmou que, ao conhecer Antônio Carlos, não havia qualquer indício de irregularidades associadas a ele."}},{"key":"8n2j6","type":"paragraph","data":{"text":"Em relação à viagem de Lulinha a Portugal, cujo pagamento pelo "Careca do INSS" já havia sido admitido pela defesa do filho do presidente, a empresária declarou não ter participado. Ela explicou que Lulinha viajou com "Careca" com o propósito de explorar negócios relacionados à cannabis medicinal. A defesa da empresária acrescentou que a viagem de Lulinha se deu por curiosidade pessoal sobre o tema, em parte devido ao uso de medicamentos à base de canabidiol por familiares, e que Roberta Luchsinger não esteve na viagem, pois ela estava fora do escopo de sua prestação de serviços."}},{"key":"5r1t7","type":"paragraph","data":{"text":"A empresária confirmou uma amizade de longa data com Lulinha e sua esposa, mas negou ter realizado qualquer repasse financeiro ao filho do presidente. Ela também admitiu ter apresentado Lulinha ao "Careca do INSS" em um "contexto social", e expressou à PF o receio de que esse contato pudesse ser explorado politicamente após a deflagração da Operação Sem Desconto, em abril do ano passado."}},{"key":"6q0w8","type":"paragraph","data":{"text":"Durante o depoimento, a PF não indagou sobre a identidade do "filho do rapaz" a quem o "Careca do INSS" se refere como destinatário de um pagamento de R$ 300 mil em uma conversa com seu ex-funcionário Milton Júnior. Segundo fontes que acompanham o caso, Milton Júnior também não foi questionado sobre a identidade dessa pessoa, que a oposição política aponta ser Lulinha."}},{"key":"9f4g2","type":"heading","data":{"level":3,"text":"O andamento da investigação"}},{"key":"2d8e0","type":"paragraph","data":{"text":"Relatórios da Polícia Federal indicam que Roberta Luchsinger pode ter atuado como uma operadora financeira e política no esquema de fraudes, trabalhando para o "Careca do INSS". A RL Consultoria e Intermediações Limitada, empresa registrada em nome de Luchsinger, teria recebido quase R$ 1,5 milhão em transferências da Brasília Consultoria Empresarial Limitada, esta última considerada uma empresa de fachada ligada ao "Careca do INSS"."}},{"key":"3c7h5","type":"paragraph","data":{"text":"O depoimento ocorre em um momento de controvérsia interna nas investigações. Recentemente, o inquérito foi transferido da Divisão de Crimes Previdenciários para a coordenação responsável por casos com foro privilegiado. Essa mudança gerou críticas da oposição, que a vê como uma possível interferência do Poder Executivo nas apurações. Há informações de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), estuda ações para evitar descontinuidade nas investigações decorrente da alteração de comando na corporação."}},{"key":"1a9z8","type":"paragraph","data":{"text":"*Com informações de Caio Junqueira e Elijonas Maia, da CNN.","align":"right"}}]}
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