TRANSPARÊNCIA E GASTOS

Emendas de Liderança na Câmara somam R$ 1,3 bilhão em 2025

Gráficos do estudo sobre emendas parlamentares na Câmara dos Deputados.
Levantamento da Transparência Brasil analisa a destinação de emendas por líderes partidários.

Estudo da Transparência Brasil aponta que indicações feitas por líderes partidários ocultam os verdadeiros autores das verbas destinadas a estados e municípios.

A Câmara dos Deputados registrou em 2025 o repasse de R$ 1,3 bilhão em emendas por meio de uma modalidade que dificulta a identificação dos parlamentares beneficiados. O montante, que representa 16% do total distribuído via comissões naquela Casa, foi consolidado sob a rubrica de "emendas de Liderança", modelo que, ao omitir o autor direto da indicação, levanta debates sobre a transparência no uso do dinheiro público.

Os dados, revelados no estudo "Similares ao orçamento secreto, ‘emendas de Liderança’ somaram R$ 1,3 bi em 2025", foram publicados pela Transparência Brasil nesta segunda-feira, 13/07/2026. Diferentemente do que ocorre no Senado, onde as indicações possuem vinculação nominal, na Câmara os recursos aparecem registrados apenas em nome da Liderança partidária, impedindo que a sociedade saiba precisamente quem solicitou o montante.

A falta de detalhamento sobre a autoria das emendas impacta a fiscalização social. Como os recursos muitas vezes são direcionados para redutos eleitorais dos próprios líderes, a ausência de transparência sobre quem priorizou cada verba dificulta a verificação de possíveis conflitos de interesse. O levantamento demonstra, por exemplo, que o Progressistas liderou o volume de recursos em 2025, com R$ 427,7 milhões, dos quais mais da metade foi destinada ao Piauí.

O impacto dessa falta de clareza é sentido diretamente na execução dos serviços essenciais, como na área de SAÚDE, que concentrou R$ 818 milhões das emendas em 2025. Segundo a Transparência Brasil, a verba foi fragmentada em centenas de pequenos repasses, muitas vezes com valores padronizados que ignoram as particularidades demográficas de cada cidade beneficiada.

A prática permanece vigente em 2026. Dados parciais indicam que, até 29 de maio de 2026, já haviam sido registradas emendas dessa natureza no valor de R$ 373,8 milhões. Embora existam planos de integração de sistemas entre o Poder Legislativo e o Executivo para ampliar a rastreabilidade, conforme decisão do Supremo Tribunal Federal, o modelo atual ainda mantém a opacidade sobre as escolhas políticas que definem o destino do orçamento nacional.

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