ALERTA EM SAÚDE

Casos de hepatite A no estado de SP superam total do ano anterior

Frasco de vacina contra hepatite A em destaque com fundo neutro.
Vacina contra a hepatite A — Foto: Instituto Butantan/Divulgação

Estado registra 1.880 infecções apenas no primeiro semestre, superando as 1.663 notificações de 2025; especialistas apontam múltiplas causas para o avanço da doença.

O estado de São Paulo enfrenta uma escalada preocupante nos índices de hepatite A, superando no primeiro semestre deste ano a marca total de registros observada ao longo de todo o ano de 2025. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde, o período acumulou 1.880 infecções, enquanto o ano anterior somou 1.663 notificações, evidenciando uma aceleração na curva de contágio que preocupa as autoridades sanitárias.

Alessandra Lucchesi, diretora da Divisão de Doenças de Transmissão Hídrica e Alimentar da Secretaria da Saúde, alerta que a hepatite A é a única entre as principais hepatites virais com crescimento consistente. O cenário atual já ultrapassa, inclusive, os números registrados durante a epidemia enfrentada no estado em 2017.

O impacto da doença na vida dos cidadãos é severo, comprometendo a rotina com sintomas como fadiga extrema, dores abdominais, febre e icterícia — caracterizada pelo amarelamento da pele e olhos. A transmissão ocorre principalmente por via fecal-oral, sendo agravada por condições precárias de saneamento, consumo de água contaminada e enchentes.

Apesar da alta, a Secretaria de Estado da Saúde pondera que o avanço não é homogêneo, concentrando-se em regiões específicas como Ribeirão Preto e o município de Guarulhos, na Grande São Paulo, que chegou a notificar um surto. Em Guarulhos, a prefeitura mantém vigilância epidemiológica intensificada e a vacinação seletiva de contatos de pessoas infectadas, indicando que o controle do surto ainda demanda monitoramento contínuo.

A prevenção permanece como o pilar mais eficaz. Atualmente, a vacina contra hepatite A é garantida pelo SUS em dose única para crianças aos 15 meses de vida, além de ser recomendada para grupos de maior vulnerabilidade, como transplantados, imunossuprimidos e usuários da PrEP. Durante o Julho Amarelo, mês de conscientização, diversas cidades reforçam a testagem e orientações sobre higiene básica e cuidados necessários para frear a disseminação viral.

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