CIÊNCIA E NEUROPLASTICIDADE
Estudo revela como DMT pode estimular a regeneração de neurônios
Pesquisadores brasileiros demonstram em laboratório que a substância presente na ayahuasca é capaz de despertar células-tronco neurais humanas.
Uma descoberta científica recente traz novas perspectivas sobre a capacidade de regeneração do cérebro humano. Pesquisadores identificaram que a N,N-dimetiltriptamina (DMT), principal componente psicodélico da ayahuasca, possui o potencial de estimular células-tronco neurais a se multiplicarem, abrindo caminhos para futuras terapias no campo da neurociência.
Por décadas, prevaleceu o dogma de que o cérebro adulto não possuía capacidade de regeneração celular. Contudo, estudos mais recentes indicam que humanos mantêm uma reserva de células-tronco neurais que, embora permaneçam em estado de repouso na maior parte da vida, podem ser ativadas sob condições específicas. O trabalho científico buscou investigar se a DMT poderia atuar como esse agente ativador.
Para contornar as limitações éticas e técnicas de estudos em cérebros vivos, a equipe utilizou células-tronco de pluripotência induzida. O método, laureado com o Nobel de 2012, permitiu transformar células adultas em um modelo biológico vivo — uma espécie de avatar do cérebro humano — onde foi possível observar a resposta celular à substância.
Os resultados, observados em ambiente controlado, demonstraram que a exposição à DMT aumentou a proliferação das células e elevou significativamente a produção de proteínas vitais para a sobrevivência e adaptação celular, como o Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro (BDNF) e o Fator de Crescimento do Nervo (NGF). Mesmo após a remoção da substância, as células mantiveram-se mais ativas metabolicamente.
É importante ressaltar que os resultados, embora promissores, referem-se a uma etapa inicial da pesquisa realizada em cultura de células. A transição para o cérebro humano vivo ainda demanda investigações sobre se essas novas células seriam capazes de se integrar aos circuitos neurais existentes. A pesquisa contou com o suporte da CAPES, do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) e do Programa de Pós-Graduação em Ciências Morfológicas da UFRJ, mantendo-se como um passo fundamental para compreender a neuroplasticidade.
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