ECONOMIA BRASILEIRA
Eleições freiam revisão de gastos, diz Durigan
Dario Durigan minimiza impacto fiscal nos juros altos e anuncia Desenrola 2.0 com descontos de até 90%.
O Ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, que o calendário eleitoral inviabilizará o avanço de importantes reformas de revisão de gastos no Congresso nos próximos meses, enquanto defendeu que a política fiscal não é a principal responsável pelos juros elevados no país. No mesmo dia, o governo lançou a aguardada nova fase do programa Desenrola, o Desenrola 2.0, buscando aliviar o endividamento de milhões de famílias. As declarações do ministro e as medidas anunciadas moldam a direção econômica do Brasil e impactam diretamente a estabilidade financeira de cidadãos e empresas.
Eleições Freiam Reformas Fiscais
Durigan salientou que o ambiente político, especialmente entre maio e outubro, inviabiliza a discussão de propostas mais sensíveis no Congresso. “De maio a outubro é praticamente impossível que o Ministério da Fazenda, a equipe econômica, apresente uma medida de revisão de gastos”, explicou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura. Essa estagnação preocupa, pois adia decisões cruciais para a saúde das contas públicas, podendo prolongar incertezas sobre o futuro econômico do país.
Contudo, o ministro ressaltou a importância de manter o debate sobre a sustentabilidade fiscal. “É essencial iniciar uma discussão civilizada, diferente do que vimos em 2022, para traçar as opções futuras, como diminuir a pressão das despesas obrigatórias e fortalecer a credibilidade do arcabouço fiscal”, complementou. A ausência de um diálogo construtivo sobre este tema pode comprometer a capacidade do governo de gerir eficazmente os recursos públicos, afetando serviços essenciais à população.
Juros Altos: Além da Questão Fiscal
Em sua análise, Durigan questionou a ideia de que o cenário fiscal brasileiro seja o principal impulsionador dos juros elevados. Ele apontou fatores externos, como conflitos geopolíticos, como a guerra, ou crises regionais, como a enfrentada no Rio Grande do Sul, e até mesmo decisões comerciais internacionais, a exemplo das tarifas impostas por Trump, como elementos mais influentes na política monetária. “O que pressiona a política monetária hoje não é o fiscal, é a guerra”, exemplificou. Essa perspectiva busca reorientar o foco do debate econômico, sugerindo que a responsabilidade pelos juros altos não recai apenas sobre a gestão dos gastos governamentais, mas também sobre um complexo cenário global que afeta o custo do crédito para cidadãos e empresas.
O ministro defendeu que as regras fiscais implementadas desde 2023 têm, progressivamente, contribuído para a melhoria das contas públicas. Ele reiterou que o modelo atual é robusto e passível de ajustes, sem a necessidade de uma substituição completa. “O arcabouço permite ajustes, funcionou, não envelheceu e ainda está no começo, gerando resultados”, garantiu. Essa continuidade nas políticas fiscais, segundo ele, é vital para manter a confiança dos investidores e a estabilidade econômica.
Estratégia de Ajuste Gradual e Cenário Global
O governo, segundo Durigan, mantém sua estratégia de ajuste gradual das contas públicas, priorizando a contenção de despesas obrigatórias e a otimização da qualidade dos gastos. Embora haja o interesse em revisitar propostas para a revisão de repasses federais, o cenário pré-eleitoral impede seu avanço imediato. A cautela governamental busca evitar o aumento de despesas sem as devidas compensações, garantindo uma agenda econômica responsável, mesmo diante de eventuais tensões políticas.
Durigan também alertou para os possíveis efeitos prolongados da guerra no Oriente Médio, que exigem atenção redobrada. Medidas emergenciais, como a redução de tributos sobre combustíveis, podem ser estendidas, desde que se observe a neutralidade fiscal, com compensação através de receitas extras, especialmente as advindas do petróleo. Tal abordagem é crucial para proteger o bolso do consumidor e a economia nacional de choques externos.
Novo Desenrola 2.0: Alívio para Famílias Endividadas
Para combater o alarmante nível de endividamento familiar, o governo lançou, também nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, o programa Desenrola 2.0. Esta nova versão simplifica o acesso à renegociação de dívidas, permitindo que os bancos negociem diretamente com os devedores. O foco está em débitos como cartão de crédito e cheque especial, oferecendo descontos significativos de até 90%, juros reduzidos e prazos de parcelamento mais extensos para dívidas com limite de R$ 15 mil. O programa representa uma esperança real para milhões de brasileiros que buscam sair do ciclo da inadimplência e recuperar sua dignidade financeira, abrindo caminho para uma vida econômica mais equilibrada.
Entre as inovações, o Desenrola 2.0 permite o uso do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para a quitação de dívidas e introduz mecanismos para prevenir a reincidência, como a oferta de educação financeira e uma restrição de um ano para apostas online para os participantes. Durigan explicou que a primeira versão do programa perdeu eficácia devido à alta dos juros, o que reverteu parte da melhora no endividamento. Com estes ajustes, a nova etapa visa oferecer soluções mais duradouras e sustentáveis.
O ministro garantiu que o programa não deve gerar pressão inflacionária. “Não creio que o montante que estamos liberando terá impacto na política monetária a ponto de atrapalhar. Parece-me bem circunscrito”, afirmou, destacando que nem todo o valor economizado pelos beneficiários será imediatamente convertido em consumo. Essa cautela visa assegurar que o alívio financeiro às famílias não desestabilize outros pilares da economia.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário