RUMO A 2026
Eleições 2026: Lula e Flávio Bolsonaro articulam estratégias religiosas
Lula aposta no fim da escala 6x1 para evangélicos, enquanto Flávio busca apoio católico com Simone Marquetto.
As campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) intensificam nesta segunda-feira, 04 de maio de 2026, suas estratégias para ampliar o apoio em segmentos religiosos, um campo decisivo para a eleição presidencial de 2026. De um lado, aliados de Lula apostam em pautas trabalhistas e sociais, como o fim da escala 6x1; do outro, interlocutores de Flávio Bolsonaro concentram esforços para expandir a presença do senador entre os católicos, inclusive com discussões sobre a possível indicação da deputada federal Simone Marquetto como vice. Esta corrida por votos, motivada por pesquisas que mostram cenários eleitorais polarizados, sublinha como as propostas políticas podem moldar a vida e a dignidade de milhões de brasileiros, ao considerar temas como a jornada de trabalho e o tempo dedicado à família e à fé.
Os números da última pesquisa Quaest evidenciam o desafio e a oportunidade para ambos os lados: Lula lidera entre os eleitores católicos, com 43% das intenções de voto em um dos cenários de primeiro turno, contra 28% de Flávio Bolsonaro. Entre os evangélicos, o cenário se inverte, com Flávio atingindo 43%, enquanto Lula registra 23%.
Flávio Bolsonaro, por exemplo, participou de um culto no Rio de Janeiro neste último fim de semana, ao lado do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do pré-candidato ao governo estadual Douglas Ruas (PL). O encontro, liderado pelo pastor Silas Malafaia, figura proeminente entre as lideranças evangélicas alinhadas ao bolsonarismo, demonstra a busca por consolidação de alianças.
Integrantes da pré-campanha de Flávio confirmam que a agenda visou consolidar a aliança do senador com as lideranças evangélicas no Rio e aumentar a visibilidade de Douglas Ruas. Fontes próximas afirmam que a participação de Flávio em eventos religiosos continuará, reforçada pelo seu recente batismo.
Apesar disso, o principal desafio para os aliados do senador é ampliar sua presença entre os católicos. Discussões sobre agendas específicas voltadas a este público já foram iniciadas, indicando uma diversificação na abordagem.
Outra estratégia em debate é a escolha da deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) como potencial vice na chapa presidencial. Sua proximidade com o Frei Gilson, uma das lideranças católicas mais populares do Brasil, e com bispos do Nordeste, é vista como um trunfo para facilitar a interlocução com esse segmento eleitoral.
No campo governista, aliados de Lula revelam que o presidente mantém uma postura cautelosa em relação a acenos religiosos diretos ao eleitorado evangélico. A avaliação no círculo petista é que o diálogo deve ser estabelecido por meio de pautas que impactam o dia a dia da população, como a regulamentação do trabalho por aplicativos e outras propostas trabalhistas.
Uma das principais apostas nesse sentido é a defesa do fim da escala 6x1. Há pouco mais de uma semana, o ministro da Secretaria Geral, Guilherme Boulos, cuja função é a interlocução com movimentos sociais, declarou que essa mudança poderia liberar mais tempo para atividades religiosas e para o convívio familiar. Essa medida ressoa diretamente na vida dos trabalhadores, oferecendo-lhes maior dignidade e qualidade de vida.
A estratégia do governo também incluía a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de fortalecer a identificação do governo com segmentos evangélicos. No entanto, o Senado rejeitou o nome de Messias, e interlocutores admitem que será preciso recalibrar o discurso para essa frente.
Nos últimos meses, o próprio Lula buscou ampliar a interlocução direta com lideranças evangélicas. O presidente promoveu encontros no Palácio do Planalto, acompanhado por Jorge Messias e pelo deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ).
Em conversa com esta coluna, Otoni de Paula revelou que não atua mais como interlocutor entre o governo e as lideranças evangélicas. Segundo o parlamentar, parte dos grupos religiosos com os quais dialogava permanece resistente a pautas associadas à esquerda. O deputado agora apoia a pré-candidatura presidencial de Ronaldo Caiado, ex-governador de Goiás.
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