INVERNO COM EL NIÑO
El Niño deve impor inverno atípico ao Brasil, com calor e chuvas acima da média em algumas regiões
Fenômeno climático altera padrões de temperatura e precipitação, elevando riscos de arboviroses e queimadas. Sistema Cantareira terá monitoramento ampliado.
O inverno brasileiro iniciou no último domingo, 21 de junho, e embora as temperaturas tendam a cair, a presença do fenômeno El Niño promete um cenário atípico em diversas regiões do país. A análise é do especialista em Clima e Meio Ambiente da CNN, Pedro Côrtes. A consolidação das características marcantes desta estação ocorrerá entre agosto e setembro, após uma transição em julho.
Temperaturas acima da média no Centro-Oeste e Sudeste
Enquanto a região Sul deve registrar temperaturas dentro do esperado para a estação fria, o Centro-Oeste e grande parte do Sudeste deverão experimentar um aquecimento acima da média histórica. Essa tendência se estende ao Nordeste e à maior parte da região Norte, com exceção do extremo oeste desta última. A elevação das temperaturas será notória em áreas como São Paulo a partir de julho. Em regiões serranas paulistas, como a Cantareira e a Mantiqueira, o frio pode ser um pouco mais perceptível em comparação ao restante do estado, mas a marca geral será o aquecimento.
Chuvas acima da média e risco de arboviroses
As regiões Sul, Centro-Oeste e parte do Sudeste também deverão registrar um volume de chuvas acima do normal durante o inverno. No oeste do Paraná, o índice pluviométrico pode ser ainda maior, exigindo medidas preventivas. A combinação de calor e excesso de chuva em áreas do Centro-Oeste e Sudeste cria um ambiente propício para a proliferação de arboviroses, como dengue, zika, chikungunya e febre amarela, mesmo nos meses mais frios. O mosquito Aedes aegypti, já adaptado ao ambiente urbano, representa um risco de recrudescimento destas doenças, especialmente no fim do inverno e início da primavera.
Seca no Norte e risco de queimadas
Por outro lado, a região Norte enfrentará um período seco mais intenso que o habitual, com redução significativa das chuvas. As altas temperaturas associadas à menor precipitação no Centro-Norte do país aumentam consideravelmente o risco de queimadas, pois a vegetação mais seca torna-se mais suscetível ao fogo.
Monitoramento do Sistema Cantareira é ampliado
Em São Paulo, o governo decidiu segregar o monitoramento do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento da região metropolitana, dos demais reservatórios. Após crises hídricas registradas em 2003-2004, 2014-2016 e 2021, o método de acompanhamento foi atualizado para incluir variáveis climáticas. No entanto, o especialista Pedro Côrtes aponta lacunas na nova metodologia, recomendando a inclusão da Oscilação Decadal do Pacífico (PDO) e a ampliação do período histórico de análise, que atualmente vai de 2011 a 2025, para abranger episódios relevantes de El Niño e La Niña do início do século.
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