CLIMA E AGRICULTURA

El Niño ameaça produtividade da mandioca no Paraná e preocupa setor

Plantação de mandioca em região agrícola do Paraná sob céu nublado.
Lavouras de mandioca no Paraná enfrentam risco climático com a previsão de El Niño.

Formação de El Niño intenso eleva risco de pragas na cultura e pressiona oferta de matéria-prima, enquanto demanda internacional cresce.

A ameaça de um El Niño intenso no final de 2026 forçou produtores de mandioca no Paraná a redobrarem os cuidados com o manejo das lavouras. A decisão técnica de alerta foi comunicada pelo Sistema Faep, que identifica no fenômeno climático um gatilho para doenças que podem comprometer a rentabilidade e a sobrevivência da cultura, já fragilizada pela redução de investimentos.

Nesta segunda-feira, 13/07/2026, o cenário ganha contornos de urgência. O Engenheiro Agrônomo e Técnico de Campo do Sistema Faep, Marlon Francis Zeferino, alerta que a alteração no regime de chuvas cria um ambiente propício para a disseminação de patógenos como a bacteriose, a antracnose e a cercosporiose. Segundo o especialista, o setor relembrou o ano de 2025 como exemplo negativo, quando o excesso de umidade e temperaturas atípicas devastaram parte da produção estadual.

Para além dos desafios sanitários, o mercado vive um momento de desequilíbrio entre oferta e demanda. O Centro-Sul, polo estratégico de produção, opera com estoques industriais reduzidos, enquanto o endividamento dos produtores limita a expansão das áreas de plantio. Essa retração, somada à alta procura externa, especialmente da Tailândia e de mercados que buscam alternativas sem glúten, coloca pressão direta sobre os preços.

A cadeia produtiva paranaense encara o impasse com cautela. A natureza perecível da raiz impede o armazenamento em larga escala, obrigando a indústria a lidar com a alta volatilidade de preços. Marlon Francis Zeferino ressalta que, para evitar perdas totais decorrentes de doenças graves como o complexo do couro de sapo, a adoção de material de plantio certificado e saudável tornou-se a única via segura para garantir a sobrevivência da colheita nos próximos ciclos.

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