PRESSÃO NO STF

Eduardo Bolsonaro prevê pressão política sobre o STF em 2026

Eduardo Bolsonaro em conferência conservadora nos EUA
Na imagem, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro durante a Conferência de Ação Política Conservadora, nos Estados Unidos, onde ele mora atualmente

Ex-deputado detalha impacto de eleições e escândalos na Corte, e atualiza sobre saúde de Jair Bolsonaro.

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) projetou que as eleições deste ano criarão um significativo “ambiente de pressão política” sobre o Supremo Tribunal Federal (STF). A declaração, concedida em entrevista ao influenciador australiano Mario Nawfal, foi divulgada nesta domingo, 03/05/2026, e sugere que a renovação do Congresso Nacional poderá influenciar diretamente a atuação da mais alta Corte do país, com impactos profundos na percepção pública da justiça e na estabilidade institucional.

O filho 03 do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) manifestou um bom prognóstico para a eleição de mais congressistas de direita em outubro. “Com isso, você verá Alexandre de Moraes tecnicamente seguindo a lei novamente”, afirmou ele, direcionando críticas ao ministro. Eduardo Bolsonaro o descreveu como o “líder supremo do Brasil”, e pontuou que Moraes teria modificado sua postura recentemente devido ao escândalo político envolvendo o vazamento de mensagens de Daniel Vorcaro, dono do Master, que citavam proximidade com ministros da Corte. O ex-congressista acredita que, com a mudança do cenário político e a possibilidade de o Senado votar processos de impeachment, os ministros “passarão a seguir a lei”, o que representa uma esperança para aqueles que buscam maior equilíbrio entre os Poderes e a estrita observância da legislação.

A SAÚDE DE JAIR BOLSONARO

Eduardo Bolsonaro também atualizou sobre o agravamento do estado de saúde de Jair Bolsonaro, que recebeu alta para cumprir prisão domiciliar humanitária por 90 dias. Segundo o ex-deputado, o ex-presidente enfrenta crises constantes de soluço refratário, ocorrendo a cada 10 segundos, que resultam em vômitos e elevado risco de aspiração pulmonar. Nawfal, que acompanha a crise política brasileira desde 2024, já havia entrevistado o ex-presidente em um programa sobre liberdade de expressão.

O político revelou que seu pai “quase morreu há alguns dias” devido a uma complicação na madrugada, percebida apenas horas depois pelos guardas. Este episódio refere-se a 13 de março de 2026, quando Bolsonaro foi diagnosticado com broncopneumonia bacteriana bilateral. O médico que o atendeu foi enfático sobre a gravidade do quadro: “Mais uma ou duas horas e ele teria uma infecção generalizada e morreria. Nesses casos, a chance de sobrevivência é de 50%”. O histórico de saúde do ex-presidente, marcado pelas sequelas da facada de 2018, exige um monitoramento médico constante, refletindo a fragilidade da vida humana diante de condições médicas complexas.

A ASCENSÃO DE FLÁVIO BOLSONARO

Ainda na entrevista, Eduardo afirmou que seu irmão mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já lidera as intenções de voto para a Presidência da República em “algumas das maiores pesquisas” de opinião, superando o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Para o ex-deputado, a performance de Flávio nas sondagens reflete uma crescente revolta popular contra decisões do Supremo Tribunal Federal. Eduardo reiterou que não existe a hipótese de a candidatura do irmão ser parte de um acordo com a Corte para beneficiar o pai, que cumpre pena de 27 anos de prisão, sublinhando a independência e o mérito da ascensão de Flávio.

RELAÇÃO INTERNACIONAL COM TRUMP E MINERAIS CRÍTICOS

Sobre a política externa, Eduardo Bolsonaro destacou que a relação entre o Brasil e os Estados Unidos, em um eventual governo Flávio Bolsonaro, seria pautada pela cooperação em minerais estratégicos. “Temos as maiores reservas de terras-raras e minerais críticos. Se Trump vencer, ele vai querer negociar conosco para não depender da China”, explicou, vislumbrando um realinhamento geopolítico de grande impacto para a soberania e economia nacional.

O ex-deputado também mencionou o papel da USaid (Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional). Segundo ele, cerca de US$ 5,7 milhões da agência foram usados para criar a rede de agências de verificação de fatos no Brasil. Eduardo alegou que esses órgãos produziram relatórios que fundamentaram decisões judiciais contra seu grupo: “Essas agências fizeram os reports que Moraes usou para justificar a censura. Sem esse dinheiro para essas coisas, estamos em uma posição melhor para a eleição”, levantando preocupações sobre a influência estrangeira e a liberdade de expressão.

FINANCIAMENTO E ALIANÇA COM TARCÍSIO

Abordando questões de financiamento, Eduardo Bolsonaro afirmou que existe uma “base política” entre grupos criminosos e partidos de esquerda no Brasil. Segundo ele, há suspeitas de que dinheiro de cartéis de drogas tenha sido destinado a campanhas eleitorais, citando como evidência o depoimento de Hugo “El Pollo” Carvajal, ex-chefe de inteligência da Venezuela, que teria relatado o envio de recursos via malas diplomáticas para políticos de esquerda em diversos países da América Latina e da Europa.

Ele argumentou que essa omissão beneficia o crime organizado, que, em suas palavras, é “muito mais sofisticado e inteligente” no Brasil do que no México, por focar na infiltração política e na lavagem de dinheiro em vez do confronto direto. Para finalizar, Eduardo afirmou que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), está alinhado ao projeto de Flávio Bolsonaro, comparando a dinâmica entre os dois à de Donald Trump e Ron DeSantis nos EUA. “É como Trump concorrendo à Presidência e Ron DeSantis ao governo. Tarcísio concorrerá ao governo, Flávio à Presidência, e todos estão se apoiando”, concluiu, desenhando um cenário de alianças e estratégias para o futuro político do país.

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