POLÍTICA E JUSTIÇA
Eduardo Bolsonaro condenado pelo STF; PT defende soberania nacional
Primeira Turma do STF decide por unanimidade pela condenação de Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo, com reações divididas entre bolsonaristas e petistas.
A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, condenar o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação no curso do processo. A acusação aponta que ele articulou uma tentativa de pressionar autoridades brasileiras, envolvendo o governo dos Estados Unidos, para interferir em um julgamento sobre tentativa de golpe de Estado, no qual seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), foi condenado. A decisão, tomada nesta quarta-feira, 17/06/2026, gerou reações opostas: aliados do bolsonarismo a classificam como perseguição política, enquanto integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) a veem como um reforço na defesa da soberania nacional, tema que pode ganhar destaque na campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Pré-candidato ao Palácio do Planalto, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) manifestou forte crítica à decisão, apontando perseguição e questionando a atuação do ministro Alexandre de Moraes. "Alexandre de Moraes deveria se declarar impedido, já que em tese é a vítima. Parece claramente uma vingança, uma questão pessoal. Não estamos vivendo democracia plena", declarou o senador em redes sociais. Flávio também levantou a questão da competência do STF para julgar seu irmão, argumentando que Eduardo Bolsonaro teria perdido o foro por prerrogativa de função após deixar o mandato de deputado federal.
Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial de Flávio, observou que o Judiciário estaria aplicando critérios distintos conforme o alinhamento político dos envolvidos. "Durante a prisão de Lula, lideranças do PT recorreram a organismos internacionais e promoveram campanhas no exterior contra decisões da Justiça brasileira. À época, tais iniciativas foram tratadas como exercício legítimo da liberdade de expressão e da atuação política", afirmou. Marinho concluiu: "Em uma democracia, é legítimo questionar decisões estatais e recorrer a instâncias internacionais para denunciar aquilo que se entende como abuso ou violação de direitos. O que não é legítimo é adotar critérios diferentes conforme a posição política de quem se manifesta."
Em contrapartida, parlamentares do PT reagiram classificando Eduardo Bolsonaro como "traidor da pátria". O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) publicou um direto "Cadeia para o traidor da pátria". Já o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) comemorou a condenação, comparando Eduardo Bolsonaro a "Calabar" e "Silvério dos Reis" e pedindo sua deportação e cumprimento de pena no Brasil. O secretário nacional de Comunicação do PT, Éden Valadares, detalhou as consequências da condenação: "Quatro anos e dois meses de prisão, inelegibilidade de oito anos e perda do cargo público" para quem é cúmplice de golpe, trama contra a soberania e tenta coagir instituições brasileiras.
O desfecho desta decisão aprofunda a polarização política em torno da atuação do STF e promete influenciar o debate público nos próximos meses. Enquanto os aliados de Eduardo Bolsonaro sustentam a tese de perseguição judicial, o PT enxerga na condenação uma resposta institucional fundamental para a defesa da soberania nacional e das bases democráticas.
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