ESTRATÉGIA DE PODER
PL projeta um terço do Senado, mas não terá força para pauta anti-STF
Mesmo com a eleição de 28 novos senadores, o partido de Valdemar Costa Neto dependerá de alianças para tentar pautas contra o STF.
O PL busca consolidar uma bancada expressiva no Senado Federal, estabelecendo como meta a conquista de 28 cadeiras nas próximas eleições. A decisão, articulada por Valdemar Costa Neto após reunião com Michelle Bolsonaro, visa ampliar o protagonismo da sigla na Casa, embora a projeção numérica revele limites reais para a execução de uma pauta direta contra o Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao somar os novos mandatos projetados aos oito já detidos pela legenda desde 2022 — ocupados por nomes como Magno Malta (ES), Wilder Morais (GO), Rogério Marinho (RN), Jaime Bagattoli (RO), Jorge Seif (SC), Marcos Pontes (SP), Wellington Fagundes (MT) e Romário (RJ) —, o PL alcançaria um total de 36 senadores. Embora represente 44% das 81 cadeiras, o quantitativo é insuficiente para garantir o controle isolado da pauta legislativa.
A matemática parlamentar impõe um desafio técnico intransponível sem a construção de alianças externas. Para que um pedido de impeachment contra um magistrado da Corte avance, são necessários 41 votos para a abertura do processo e 54 para a condenação e o efetivo afastamento. Com 36 assentos, o partido ficaria distante de ambos os patamares, permanecendo dependente do apoio de outras forças do Centrão e da direita.
Além das dificuldades aritméticas, o regimento interno concede ao presidente do Senado a prerrogativa exclusiva de receber ou arquivar denúncias, um obstáculo já verificado em 2025, quando pedidos de impeachment não prosperaram. A estratégia do PL, que inclui nomes como Bia Kicis (DF), Domingos Sávio (MG), Sanderson (RS) e Marcelo Queiroga (PB), focará, portanto, na capacidade de pressão política e na disputa pelo comando da Casa, mantendo viva a pauta defendida pelo bolsonarismo, apesar da contrariedade interna do próprio comando da sigla quanto ao afastamento de ministros.
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