JUSTIÇA FISCAL GLOBAL

Durigan defende imposto global sobre ultrarricos no G7 em Paris

Dario Durigan, Ministro da Fazenda, em evento do G7 em Paris
Dario Durigan, ministro da Fazenda, em Paris, durante reunião preparatória para o G7. (Foto: Washington Costa/MF)

Brasil, com reforma de 2025, inspira debate por taxação mínima de bilionários. Proposta pode alcançar milhares de pessoas.

Em uma segunda-feira movimentada, 18 de maio de 2026, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, posicionou o Brasil na vanguarda do debate global em Paris, defendendo veementemente a criação de um imposto mínimo sobre os ultrarricos. Em meio a reuniões preparatórias para a cúpula do G7, a iniciativa ressoa como um chamado por maior justiça fiscal e solidariedade global, refletindo o sucesso da reforma aprovada no Brasil em 2025. O objetivo é assegurar que os detentores de grandes fortunas contribuam equitativamente, impulsionando a dignidade e o bem-estar da sociedade mundial.

Durigan, que participa de dois dias de encontros na capital francesa, apresentou a agenda durante um evento com acadêmicos e políticos. A proposta de um imposto mínimo para bilionários, um tema que ganha força internacionalmente, embora não esteja entre as prioridades oficiais do G7 – grupo das sete maiores economias desenvolvidas (Estados Unidos, Alemanha, Japão, Reino Unido, França, Itália e Canadá) –, foi levada à mesa de discussões por países convidados, como o Brasil, a Coreia do Sul e a Índia, em 2026.

Em paralelo à agenda dos ministros e presidentes de Bancos Centrais, um colóquio promovido pela influente revista Le Grand Continent reforçou a relevância do assunto, contando com a presença de Durigan e do renomado economista Gabriel Zucman, diretor do Observatório Fiscal Internacional. Zucman é o idealizador de uma proposta para um imposto mínimo global de 2% sobre o patrimônio de bilionários com fortunas superiores a US$ 100 milhões, e tem colaborado com o Ministério da Fazenda desde a presidência brasileira do G20 em 2024.

"Eu sou muito disposto a levar esse debate porque é um debate do nosso tempo, como o debate da jornada de trabalho no Brasil também foi. O debate da taxação dos super-ricos deve ser levado”, afirmou Durigan ao final do evento. Ele acrescentou que, “se tiver espaço para discutir justiça tributária, eu sou o primeiro a topar”.

Reforma Fiscal no Brasil: Um Modelo Inspirador

O Brasil se destaca globalmente ao ter aprovado, em 2025, um imposto mínimo progressivo de até 10% sobre grandes fortunas. Essa medida, que a Fazenda estima atingir 142 mil pessoas no país, serve como um poderoso precedente para o avanço da discussão em escala mundial. Entretanto, o progresso em outros países ainda é modesto.

Na França, por exemplo, um projeto de lei similar, que previa um imposto de 2% ao ano sobre patrimônios superiores a € 100 milhões, foi rejeitado pelo Senado no ano passado. Segundo cálculos de Zucman, a proposta francesa afetaria cerca de 1,8 mil pessoas físicas. Outras nações europeias, como Espanha, Reino Unido, Holanda e Bélgica, também estudam aumentar a tributação dos ultra-ricos, assim como o estado americano da Califórnia, governado pelo democrata Gavin Newsom, um notório opositor de Donald Trump.

Contexto Global e Prioridades do G7

Apesar do apelo por justiça fiscal, a presidência francesa do G7 foca em outros temas mais consensuais, especialmente em um cenário de multilateralismo fragilizado, guerras e tensões geopolíticas. A emergência do desbloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% dos hidrocarbonetos globais, e o conflito no Irã, são pautas prioritárias.

Durigan enfatizou a importância de ouvir as diferentes perspectivas sobre o impacto da guerra. “Quando a gente conversa com os países do Golfo, que estão convidados para um almoço amanhã no G7, e eles contam a perspectiva local de como está o desenvolvimento da guerra na região, isso contribui muito”, disse o ministro, que também defendeu “subsídios limitados” aos combustíveis para mitigar os efeitos da crise no Oriente Médio nos preços da energia.

Para o Brasil, os principais focos em Paris são a atração de investimentos estrangeiros e o acesso a minerais críticos. Durigan ressaltou que “um fórum como o G7 permite fazer esse debate e mostrar como a gente tem melhorado a situação econômica no Brasil, do ponto de vista macro, com os números todos que a gente tem apresentado”.

A recente aprovação na Câmara dos Deputados do novo marco regulatório de terras e minerais críticos no Brasil é vista como um passo fundamental para impulsionar investimentos em um setor estratégico para a economia digital e alavancar a indústria nacional. "É fundamental dar segurança jurídica, por isso um novo marco que garanta procedimentos céleres e seguros, evitando judicialização, com grande pactuação com o setor”, argumentou Durigan, destacando o "grande interesse nessa área".

A agenda de Durigan em Paris se encerra nesta terça-feira, 19 de maio de 2026, com um encontro agendado com Fatih Birol, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), antes de seu retorno a Brasília.

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