INVESTIGAÇÃO SOBRE TRAGÉDIA
Dono da Voepass admite à PF cultura de omissão sobre falhas em aviões
José Luiz Felício Filho confessou que a companhia ignorava panes técnicas para evitar que aeronaves ficassem em solo. O empresário é um dos 16 indiciados pelo acidente.
O proprietário e presidente da Voepass, José Luiz Felício Filho, admitiu perante a Polícia Federal (PF) a existência de uma "cultura de omissão" no registro de falhas técnicas dentro da empresa. Em depoimento prestado em 4 de agosto de 2026, o empresário confirmou que a companhia negligenciava a notificação de problemas para manter as aeronaves em operação, comportamento que está no centro da investigação sobre a queda do voo 2283, ocorrida em 9 de agosto de 2024, em Vinhedo (SP).
O caso, que resultou na morte de 62 pessoas, ganhou contornos de gravidade com a revelação de que diretores da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) haviam alertado Felício Filho, pessoalmente e ao longo de anos, sobre o padrão de conduta dos pilotos. Segundo os investigadores, os profissionais evitavam formalizar falhas nos diários de bordo para não reter as aeronaves em solo, comprometendo a segurança em prol da disponibilidade da frota.
"A aeronave não deveria estar naquela condição, mas também não deveria ter sido despachada para aquela rota", reconheceu o dono da empresa sobre o voo que decolou com falhas no sistema de degelo, mesmo sob previsão de formação de gelo severo.
Diante das evidências, a Polícia Federal indiciou Felício Filho e outros 15 profissionais pelo crime de atentado contra a segurança do transporte aéreo, previsto no artigo 261 do Código Penal. Entre os indiciados estão diretores de operações, manutenção e segurança, além de mecânicos e despachantes operacionais. A decisão faz parte de uma investigação em fase policial e cabe, portanto, análise posterior do Ministério Público para eventual oferecimento de denúncia à Justiça.
A Voepass, que teve seu Certificado de Operador Aéreo (COA) cassado pela Anac em junho de 2025, afirmou em nota que a segurança sempre foi sua prioridade e que mantém colaboração integral com as autoridades, aguardando os próximos trâmites do processo para exercer seu direito de defesa.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário