CENÁRIO GLOBAL TENSO

Dólar reage à política brasileira e ao encontro Xi-Trump; mercados monitoram tensões globais

Imagem do dólar e fatores que influenciam sua cotação.
Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair. Foto: Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo.

Mercados em alerta com repercussão de áudios, fim da ‘taxa das blusinhas’ e o primeiro encontro bilateral entre líderes de EUA e China desde 2017.

O dólar abriu o dia em alta nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, com os mercados financeiros globais e domésticos em alerta diante de um cenário complexo que une política, economia e geopolítica. Investidores acompanham de perto as consequências da revelação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro no Brasil, que adicionam incerteza ao panorama político e fiscal. Paralelamente, o desdobramento do encontro entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping e as tensões no Oriente Médio moldam a confiança global, impactando diretamente as projeções econômicas e a vida dos cidadãos que dependem da estabilidade dos preços e do comércio internacional.

Cenário Político Nacional Agita Mercados

No Brasil, o noticiário repercute a revelação de áudios que ligam o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro. O parlamentar, pré-candidato à Presidência, era visto por investidores como um nome capaz de promover mudanças na política econômica. O caso adiciona incerteza ao cenário político doméstico.

No mercado financeiro, a leitura dos investidores aponta que o episódio pode reduzir as chances de mudança de governo, influenciando expectativas sobre ajustes fiscais. Na quarta-feira, 13 de maio de 2026, a bolsa registrou queda de 1,8%, e o dólar valorizou mais de 2%, retornando à casa dos R$ 5.

Ainda sobre o Caso Master, a Polícia Federal prendeu Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. A operação cumpriu sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão. As investigações apuram fraudes financeiras e a atuação de grupos suspeitos de coerção, obtenção de informações sigilosas e invasão de dispositivos.

Veja, a seguir, mais detalhes do cenário nos mercados:

Dólar

  • Acumulado da semana: +2,34%;
  • Acumulado do mês: +1,15%;
  • Acumulado do ano: -8,75%.

Ibovespa

  • Acumulado da semana: -3,81%;
  • Acumulado do mês: -5,46%;
  • Acumulado do ano: +9,91%.

Encontro entre Potências

A viagem do presidente americano, Donald Trump, acompanhado de um grupo de executivos para a China, esteve no centro das atenções dos mercados financeiros na quarta-feira, 13 de maio de 2026. Esse foi o primeiro encontro bilateral entre os dois países desde 2017. O encontro do republicano com o presidente chinês, Xi Jinping, ocorre em meio a tensões entre as duas principais potências econômicas do mundo — incluindo acusações de Trump de que a China estaria realizando testes nucleares.

O principal objetivo da visita, conforme já afirmou o presidente dos EUA, é tentar fazer com que a China abra mais seu mercado para empresas americanas, mas outros temas também devem ganhar destaque durante a estadia de Trump em Pequim. Entre eles:

  • a prorrogação da trégua alcançada em outubro na guerra das tarifas;
  • a guerra com o Irã — Trump quer pressionar Pequim a utilizar sua influência para contribuir para uma saída da crise no Golfo;
  • a relação dos dois países com Taiwan;
  • a disputa sobre inteligência artificial e a produção de chips, entre outros.

Em um banquete em homenagem ao presidente norte-americano, os dois trocaram elogios e sinalizaram parceria. Trump chamou Xi de “amigo” e o convidou para uma visita oficial aos Estados Unidos em 24 de setembro.

Guerra no Oriente Médio segue na mira

A Guerra no Oriente Médio segue na mira dos mercados, com as chances de um cessar-fogo entre Irã e os EUA diminuindo significativamente. Donald Trump afirmou que a trégua está “respirando por aparelhos”, enquanto o Irã rejeitou a proposta americana para encerrar o conflito, exigindo o fim da guerra, compensações pelos danos e o fim do bloqueio naval imposto pelos EUA. A persistência dessa tensão afeta a vida de milhões e a estabilidade regional.

As tensões na região continuam a mexer com os preços do petróleo no mercado internacional: o barril do Brent ultrapassou US$ 107, impulsionado pelo temor de interrupções no Estreito de Ormuz, uma rota estratégica vital para o transporte global de petróleo e gás. Essa volatilidade afeta diretamente o custo da energia para consumidores em todo o mundo.

Enquanto isso, os EUA anunciaram novas sanções contra empresas e pessoas acusadas de auxiliar o Irã na venda de petróleo para a China, intensificando a pressão econômica.

Eleições e a “Taxa das Blusinhas”

O cenário político brasileiro também permanece no radar, em meio à crescente proximidade das eleições presidenciais, que ocorrem em outubro. Uma nova pesquisa da Quaest, divulgada nesta quinta-feira, 14 de maio de 2026, mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico em um cenário de 2º turno. Lula voltou a ficar numericamente à frente, com 42% das intenções de voto, enquanto Flávio registrou 41%.

Na pesquisa anterior da Quaest, de abril, o senador aparecia à frente. Em março, ambos estavam numericamente empatados, com 41% cada. O presidente detinha uma vantagem de dez pontos em dezembro, que subsequentemente caiu para sete pontos em janeiro e cinco em fevereiro, evidenciando uma disputa cada vez mais acirrada pela Presidência.

“É o terceiro mês consecutivo em que vemos um empate técnico entre Lula e Flávio. As movimentações acontecem todas na margem de erro, sugerindo um cenário bastante competitivo até aqui”, afirmou o diretor da Quaest, Felipe Nunes, destacando a incerteza que paira sobre o próximo pleito.

Além disso, o presidente Lula anunciou, na quarta-feira, 13 de maio de 2026, o fim da chamada “taxa das blusinhas”. O termo é utilizado para se referir ao imposto de importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50, cobrado por meio do programa Remessa Conforme. A medida, contudo, não altera as regras do ICMS, um imposto estadual que também incide sobre essas compras. Em abril, dez estados já elevaram a alíquota do ICMS para essas transações, passando de 17% para 20%, o que mantém um custo adicional para o consumidor.

A cobrança original foi iniciada em agosto de 2024, após a aprovação de uma lei pelo Congresso Nacional, sancionada por Lula. Empresas brasileiras que competem com os produtos importados defendiam a manutenção da taxa, argumentando sobre a concorrência leal. A mudança é vista por analistas como uma medida eleitoreira, e coloca atenção ao quadro fiscal do país, uma vez que representa uma perda de arrecadação para o governo, podendo impactar a oferta de serviços públicos.

Mercados Globais

Em Wall Street, os três principais índices americanos fecharam sem direção única na quarta-feira, 13 de maio de 2026, conforme investidores repercutiam novos dados de inflação ao produtor nos EUA. O Dow Jones registrou queda de 0,14%, enquanto o S&P 500 subiu 0,5%, e o Nasdaq avançou 1,20%.

Já na Europa, as principais bolsas fecharam em alta. O índice alemão DAX subiu 0,76%, enquanto o francês CAC 40 avançou 0,35%. Já o FTSE 100, de Londres, avançou 0,58%, mostrando resiliência.

Na Ásia, as ações de Xangai atingiram as máximas em 11 anos na quarta-feira, 13 de maio de 2026, conforme investidores aproveitavam a queda antecipada do setor de tecnologia antes da reunião entre os líderes dos EUA e da China. O índice Shangai Composite subiu 0,7%, atingindo o nível mais alto desde julho de 2015. Já em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,2%, e o japonês Nikkei teve ganhos de 0,8%, refletindo a dinâmica regional.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário