ECONOMIA EM XEQUE
Dólar e petróleo sobem com cenário político e alertas externos nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026
Petróleo avança com fala de Donald Trump; investigação contra Flávio Bolsonaro gera cautela.
O mercado financeiro nacional e global reage com cautela nesta segunda-feira, 18 de maio de 2026, impulsionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e incertezas políticas no Brasil. O dólar opera em alta, enquanto o petróleo registra avanços significativos, refletindo um cenário de instabilidade que impacta diretamente a economia e o dia a dia dos cidadãos, desde o custo de vida até as perspectivas de investimento.
No cenário internacional, os preços do petróleo avançam após o presidente Donald Trump reiterar que “o tempo está correndo” para Teerã. A declaração, feita após uma conversa com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, intensifica a pressão sobre o Irã para que haja uma rápida resolução nas negociações de guerra, ou, nas palavras de Trump, “não sobrará nada deles”. Por volta das 7h30 (horário de Brasília), o petróleo Brent subia 0,91%, negociado a US$ 110,25 por barril, e o WTI avançava 1,26%, a US$ 102,29.
No Brasil, a Polícia Federal investiga movimentações financeiras complexas ligadas a estruturas nos EUA. O foco está no destino de recursos solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo Partido Liberal (PL), ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Master. A solicitação visava financiar o filme "Dark Horse", que aborda a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Documentos revelam a previsão de aportes de cerca de R$ 134 milhões para o projeto. Parte desses valores teria sido transferida pela Entre Investimentos, empresa associada a Vorcaro, para o Havengate Development Fund LP, no Texas. Esse fundo é administrado por Paulo Calixto, advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL).
O caso amplia a cautela dos investidores e levanta dúvidas sobre a capacidade da oposição de apresentar uma candidatura forte contra o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com isso, crescem as apostas em menor alternância no poder, o que pode influenciar as expectativas sobre o ajuste das contas públicas e, consequentemente, pressionar o dólar e a bolsa de valores. Essa incerteza econômica e política tem um impacto direto na vida de milhões de brasileiros, afetando desde a inflação até a geração de empregos.
Flávio Bolsonaro cobrou dinheiro de banqueiro para filme
O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do Partido Liberal (PL) à Presidência da República, confirmou ter solicitado recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, projeto cinematográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Em áudio revelado pelo site The Intercept Brasil – cuja existência e conteúdo foram confirmados pela TV Globo junto a investigadores e fontes com acesso às informações –, o senador pede US$ 24 milhões, valor que correspondia, à época, a cerca de R$ 134 milhões. Flávio Bolsonaro posteriormente confirmou o envio da mensagem, mas afirmou não ter cometido qualquer irregularidade.
A controvérsia ganhou destaque porque, até então, o senador negava envolvimento nas tratativas. Paralelamente, ele intensificava críticas públicas ao Banco Master e defendia a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar escândalos envolvendo a instituição. A Polícia Federal apura se recursos ligados a Vorcaro foram utilizados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos EUA. A investigação sugere que o filme pode ter servido como justificativa formal para a transferência dos valores.
Os investigadores buscam esclarecer se o dinheiro foi efetivamente destinado à produção audiovisual, se houve desvio de finalidade ou se parte dos recursos acabou financiado a permanência de Eduardo no exterior. Para os investidores, a controvérsia pode desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro e reduzir suas chances na disputa presidencial. Essa percepção alterou as expectativas sobre uma eventual mudança de governo e seus possíveis impactos sobre as contas públicas, pressionando o câmbio e contribuindo para a queda da bolsa.
Mercados Globais Reagem
Em Wall Street, os índices futuros das bolsas operavam em queda por volta das 8h45 (horário de Brasília), sinalizando uma abertura negativa em Nova York. O Dow Jones recuava 0,7%, enquanto o S&P 500 e o Nasdaq caíam 0,4% cada.
Na Europa, o desempenho era misto. O índice STOXX 600, que reúne ações de diversos países do continente, tinha leve alta de 0,02%, aos 607,04 pontos. Em Londres, o FTSE 100 avançava 0,43%, aos 10.239,72 pontos, e, em Frankfurt, o DAX subia 0,75%, aos 24.135,23 pontos. Já em Paris, o CAC 40 recuava 0,38%, aos 7.922,23 pontos.
Na Ásia, a maior parte das bolsas fechou em queda. Em Xangai, o principal índice caiu 0,09%, aos 4.131 pontos. O CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, recuou 0,54%, aos 4.833 pontos. Em Hong Kong, o índice Hang Seng perdeu 1,11%, encerrando aos 25.675 pontos. Já em Tóquio, o Nikkei fechou em baixa de 0,97%, aos 60.815 pontos.
Destaques do Mercado
- Dólar
- Acumulado da semana: +3,54%
- Acumulado do mês: +2,33%
- Acumulado do ano: -7,68%
- Ibovespa
- Acumulado da semana: -3,71%
- Acumulado do mês: -5,36%
- Acumulado do ano: +10,03%
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