MERCADO EM CHOQUE

Dólar dispara e Bolsa desaba em semana de apreensão

Gráfico do valor do dólar e desempenho do Ibovespa em 15 de maio de 2026
Mercado financeiro em movimento: dólar e Ibovespa nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026.

Moeda atinge R$ 5,067; Ibovespa sofre maior queda desde confronto entre Estados Unidos e Irã.

O mercado financeiro brasileiro reagiu com forte volatilidade nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, culminando em uma expressiva alta do dólar e na maior queda semanal da Bolsa de Valores desde o início do conflito entre Estados Unidos e Irã. A instabilidade foi impulsionada por uma combinação de fatores: a escalada das tensões no Oriente Médio, que impacta diretamente a oferta global de petróleo, e a repercussão de uma reportagem investigativa sobre negociações financeiras envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Esses movimentos indicam uma crescente apreensão dos investidores e podem reverberar no dia a dia dos cidadãos, afetando desde o custo de produtos importados até o rendimento de aplicações.

Nesta sexta-feira, o dólar encerrou o dia cotado a R$ 5,067, após uma valorização de 1,63%. Durante a sessão, a moeda norte-americana atingiu picos de R$ 5,081 e mínimas de R$ 5,018, alcançando seu patamar mais elevado desde 9 de abril. No acumulado da semana, a alta foi ainda mais significativa, de 3,54%, sinalizando uma forte tendência de fuga para moedas consideradas mais seguras.

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Em contraste, o Ibovespa registrou uma queda de 0,61%, fechando em 177.283,83 pontos. A semana foi particularmente desafiadora para a Bolsa, que acumulou uma desvalorização de 3,14%. Essa marca representa a maior perda semanal desde 2 de março de 2026, período imediatamente posterior ao início do confronto entre Estados Unidos e Irã, evidenciando o quão sensíveis os mercados permanecem a choques geopolíticos e notícias de impacto interno.

![](https://static.poder360.com.br/2026/05/valor-dolar-trajetoria-diaria-15-mai-2026-1-1-01-scaled.jpg)

Um dos principais catalisadores para a desvalorização da moeda brasileira ocorreu na quarta-feira, 13 de maio, quando o dólar superou novamente a marca de R$ 5. O gatilho foi uma reportagem do site Intercept, que detalhou supostas negociações entre o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL-RJ, e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo a investigação, o acordo envolveria o repasse de R$ 134 milhões destinados a financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, também do PL. A notícia gerou incerteza e alimentou preocupações sobre a governança e o cenário político nacional.

No cenário internacional, a preocupação com o abastecimento de petróleo também pesou. Novos ataques a embarcações nas proximidades do estratégico Estreito de Ormuz reacenderam temores de interrupção na cadeia de oferta global. Como consequência, o preço do petróleo Brent disparava 3,41%, sendo negociado a US$ 109,32 às 17h30, refletindo a volatilidade e o risco percebido na região.

Essa combinação de fatores – instabilidade geopolítica no Oriente Médio e revelações políticas internas – reforça a percepção de um ambiente de maior risco para o capital, levando investidores a reavaliarem suas posições e impactando diretamente a economia brasileira. A variação cambial e o desempenho da bolsa são termômetros que indicam a confiança na economia, e seus movimentos recentes alertam para a necessidade de atenção contínua dos cidadãos e das autoridades.

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