TENSÃO GLOBAL

Dólar abre a R$ 5 de olho nas negociações nucleares do Irã e em dados dos EUA

Notas de dólar sendo contadas.
Notas de dólar. — Foto: Luisa Gonzalez/ Reuters

Mercados reagem à possibilidade de Irã manter urânio enriquecido e aguardam dados de desemprego americanos. Caso Master também impacta o cenário interno.

Nesta quinta-feira, 21/05/2026, o dólar abriu em R$ 5, influenciado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e pela iminência da divulgação de dados econômicos cruciais nos Estados Unidos. A incerteza em torno do programa nuclear iraniano e os desdobramentos de investigações no Brasil sobre o Banco Master moldam o cenário financeiro.

No cenário internacional, mercados repercutem a informação de que o líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, teria determinado que o urânio enriquecido a níveis próximos ao grau militar permaneça no país. Segundo a Reuters, essa notícia diminuiu as expectativas de um acordo nas negociações sobre o programa nuclear iraniano, levando a uma nova alta nos preços do petróleo. O barril do Brent para julho avançou 1,68%, a US$ 106,78, enquanto o WTI, referência nos Estados Unidos, subiu 2,29%, cotado a US$ 100,51.

Ainda nos EUA, o Departamento de Trabalho divulga às 9h30 (de Brasília) os dados semanais de pedidos de seguro-desemprego. Na semana anterior, foram registrados 211 mil pedidos iniciais, e a expectativa do mercado agora gira em torno de 210 mil solicitações. Esses números são observados de perto por investidores, pois indicam a saúde do mercado de trabalho americano.

No Brasil, o caso Master continua a gerar atenção. A Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) rejeitaram a primeira proposta de colaboração premiada apresentada por Daniel Vorcaro. A controvérsia e os possíveis impactos políticos das investigações envolvendo o banco afetam a percepção de risco no mercado interno.

A agenda econômica brasileira inclui a divulgação pela Receita Federal dos dados de arrecadação de abril. Em março, a arrecadação federal somou R$ 229,249 bilhões, com alta real de 4,99% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O desempenho da arrecadação é um indicador importante da atividade econômica do país.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) admitiu ter se reunido com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no fim de 2025. Segundo Flávio Bolsonaro, o objetivo do encontro era discutir o financiamento do filme 'Dark Horse', uma cinebiografia sobre Jair Bolsonaro. Em áudio revelado pelo site The Intercept Brasil e confirmado pela TV Globo, o senador solicita US$ 24 milhões. A Polícia Federal investiga se recursos ligados a Vorcaro foram usados para custear despesas do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro nos EUA, com o filme servindo como possível justificativa formal para a transferência de valores. A GOUP Entertainment, produtora de 'Dark Horse', negou o recebimento de dinheiro de Vorcaro.

Investidores avaliam que essa controvérsia pode desgastar a imagem de Flávio Bolsonaro e impactar suas chances na disputa presidencial. Essa percepção altera expectativas sobre uma eventual mudança de governo e seus possíveis reflexos nas contas públicas, pressionando o câmbio e a bolsa de valores.

O conflito entre Estados Unidos e Irã segue em clima de tensão. O presidente americano Donald Trump afirmou que 'dará uma chance' ao Irã nas negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio, mas ressaltou que não tem pressa. Ele declarou que a missão é mais importante do que o cronograma e que as tropas iranianas foram destruídas. Os dois países enfrentam um impasse no programa nuclear iraniano e no controle do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. Mesmo com a pausa nas negociações, os militares americanos permanecem prontos para agir, caso necessário.

Nos Estados Unidos, a guerra tem desgastado Trump politicamente, com pesquisas indicando aumento da rejeição popular ao conflito e queda na aprovação presidencial, especialmente devido aos impactos econômicos e ao receio de uma escalada militar.

No mercado financeiro global, os principais índices de Wall Street fecharam em alta, impulsionados pelo otimismo com ações de tecnologia. O Dow Jones subiu 1,31%, o S&P 500 teve ganhos de 1,07% e o Nasdaq Composite avançou 1,54%. Na Europa, bolsas também fecharam perto das máximas, com alta de 1,5% no índice Stoxx 600, impulsionadas por tecnologia e defesa. Na Ásia, a maioria das bolsas encerrou o pregão em queda.

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